Mentira verde: entenda a problemática dos produtos e serviços ditos sustentáveis, mas que não são

Um dos grandes inimigos que temos é a pressa e a compra por impulso


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Foto: Divulgação

A tendência mundial é pela procura por produtos e serviços menos poluidores, mais ecológicos, verdes e biológicos, enfim mais sustentáveis.

Os consumidores e usuários estão alterando suas formas de comprar e utilizar alimentos, vestuários, serviços, moradias, reciclagem, etc. Essa modificação no modo de viver visa o meio ambiente. Preocupação com o aquecimento global e mudanças climáticas estão dando este novo rumo.

Tudo isto tem forte reflexo nas empresas em geral, precisando cada vez mais ir para este lado e convencer os consumidores que isto é de fato verdade. Só que isso nem sempre acontece. Muitas propagandas e amostras de serviço não seguem o que estão dizendo, tipo “engana bobo”.

Alguns produtos ditos 100% recicláveis, não são. Outros, trocam determinado componente poluidor de sua fórmula por outro que também não é lá estas coisas só para ficar “bonito na foto”. Ainda tem aqueles com selos indicadores e ou certificados parecidos com os verdadeiros.

O desconhecimento dos consumidores faz com que a compra seja realizada. Ou ainda, tem empresas que tem um produto realmente “verde”, mas os demais fabricados não são e fazem toda aquela propaganda como se todos fossem. Isso tem sido tão sério que criaram um nome para esclarecer: GREENWASHIG (pronúncia parecida com grinvaxim), que quer dizer mentira verde, banho verde ou lavagem verde. Em resumo é uma prática socioambiental divulgada por uma empresa, mas que não acontece. Este termo não é novo e surgiu em 1990, parecido com o que era dito para “lavagem cerebral”.

Foto: Divulgação

Aqui no Brasil temos o Código do Consumidor (Lei 8.078/1990) que proíbe a publicidade enganosa. Importante para quem for comprar ou utilizar de serviços que procure saber bem como são os rótulos ou as normas que serão utilizadas.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), tem a relação de marcas que fizeram ou estão fazendo o que eu chamo de “fake verde”. Isso vale também para automóveis quanto ao consumo de energia, escapamento de gases e não comprovados. Produtos de higiene e limpeza com suas embalagens verdes e floridas e não tem nada haver. Outros tem selos apenas parecidos com verdadeiros. Selos verdadeiros e conhecidos são do Instituto Biodinâmico IBD, Certificação ECOCERT, Selo PROCEL, Forest Stewardship FSC, e outros. As normas ABNT, NBR, ISO tem grande importância na confirmação e regularização na rotulagem e normas dos produtos e serviços.

Precisamos aprender a comprar ou contratar serviços com atenção aos rótulos e/ou às normas que cada atividade tem. Um dos grandes inimigos que temos é a pressa e a compra por impulso. E, seguidamente, somos enganados por nós mesmo já que muitas vezes está escrito miudinho, mas, está lá mesmo que disfarçado.

O Idec fez uma pesquisa (2018/2019) em cinco dos principais mercados no Rio de Janeiro e São Paulo. Em resumo foram avaliados 509 produtos de várias marcas que tinham alegação de cunho sócio ambiental. Foram 341 de higiene e cosméticos, 89 de limpeza e 79 utilidades domésticas. Na média 48% estavam fora das normas e deram o “banho verde”, sendo 37% de higiene e cosméticos, 66% dos produtos de limpeza e 75% de utilidades domésticas. A pesquisa completa está disponível na internet e no dia da mentira, 1° de abril, foi lançando o “Guia da Mentira Verde” disponível na internet. Ainda, para quem gosta do assunto, indico algumas leituras interessantes: Greenwashing O que é e como identificar e Exemplos para ficar atento –PIXPEL; FUNVERDE. Empresas acusadas de Greenwashing.

Texto por Nilo Cortez, engenheiro agrônomo

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