Mercado aquecido em Lajeado: “Eu sei de imobiliárias que locaram mais de 100 imóveis em um mês”, diz delegado do Creci-RS

Segundo Keko Munhoz, há uma alta procura por imóveis em áreas que não têm risco de inundação, o que torna bairros como São Cristóvão, Montanha e Conventos mais visados


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Foto: Tiago Silva

O mercado imobiliário de Lajeado e do Vale do Taquari está surpreendendo positivamente. Essa é a impressão das empresas imobiliárias, segundo o delegado sub-regional do Creci-RS, Marco Aurélio Munhoz, o Keko Munhoz, diretor da Imobiliária Arruda & Munhoz, de Lajeado.

Conforme ele, havia uma preocupação muito grande depois da catástrofe da enchente de maio. Porém, os resultados são melhores do que o esperado, mesmo nas dificuldades impostas pela maior tragédia climática da história do RS.

“Mexeu com o mercado sim”, admite ele, ao relatar uma migração dos bairros e regiões afetados e uma procura maior por áreas fora do risco de inundação. Em Lajeado, as regiões mais almejadas são os bairros São Cristóvão, Montanha e Conventos. “São novos polos. As pessoas estão procurando, e isso é normal. A primeira condição num negócio é: pega água ou não?”, conta.

Alta demanda

“Eu sei de imobiliárias que locaram mais de 100 imóveis em um mês”, detalha. “Imóveis para locação de valor baixo foram alugados quase todos. Tem uma lei da oferta e da procura que regula o mercado imobiliário. Então, imóveis de pequeno valor foram quase todos locados”, reforça. “E foram alugados mais rapidamente porque as pessoas tinham urgência de alugar porque foram impactados.”

O fato de ter pegado enchente não condena um imóvel automaticamente. Depende de questões como a localização e o nível que a água bateu. “Uma das coisas que me surpreendeu foi uma procura muito grande de imóveis que foram assolados pela enchente, mas somente o hall de entrada”, conta Keko Munhoz, em relação às áreas centrais consideradas mais nobres em Lajeado.

Questionado sobre abusos de preços depois da enchente, o corretor é taxativo: “Eu desconheço um imóvel que dobrou de preço. Dizem isso, mas é pontual e exceção, porque ninguém que estava divulgando em uma imobiliária séria tem como passar de R$ 1 mil para R$ 2 mil. O proprietário não tem uma justificativa plausível para alegar por que dobrar. Subir, subiu, mas não assim, dessa forma.”

E no caso de aluguel direto, é possível? “Talvez esses, sim, porque não precisa justificar para um profissional por que um imóvel que estava sendo ofertado a R$ 1,5 mil agora passou para R$ 3 mil”, responde. “Existe uma procura maior, não tem como negar, mas não assim, de uma forma absurda”, afirma ele, para quem “a impressão por esses 60 dias é que o mercado vai continuar aquecido”.

Mudanças

Apesar do impacto da cheia, Lajeado continuará como polo imobiliário no RS, assim como Porto Alegre, litoral e Serra Gaúcha. “Não vai ser essa inundação que vai alterar esse cenário”, entende o delegado do Creci-RS no Vale do Taquari.

São diferenciais competitivos para a atração de pessoas e empresas a universidade, o hospital e as indústrias alimentícias, explica. “Lajeado é um polo imobiliário porque investidores da zona alta do Vale do Taquari investem em Lajeado. As pessoas da zona baixa, como Taquari, também investem aqui”, observa Keko Munhoz. “Isso não mudou com a inundação. Inclusive, criou novas perspectivas”, destaca.

Outra cidade que já observa um boom imobiliário depois do evento climático de maio é Teutônia. “Teutônia, pela questão de não ser dentro do rio como Estrela, Lajeado, Arroio do Meio e Cruzeiro do Sul, está tendo uma procura muito grande. É uma bela região. Teutônia cresce muito”, destaca.

Alternativas para áreas alagáveis

Segundo Keko Munhoz, é uma tendência natural do ser humano tentar se proteger. Por isso, ele destaca que as prefeituras terão que ser criativas e trabalhar com inventivos para evitar a fuga de regiões que sofrem mais com as enchentes.

Texto: Tiago Silva
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