Mercado Solidário e Horta Comunitária auxiliam famílias de forma colaborativa em Teutônia

Projeto acontece no sistema de trocas e é totalmente voluntário. Além da oportunidade de ter renda própria, há disponibilidade de alimentos, roupas, calçados e móveis


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Mercado Solidário e Horta Comunitária fazem parte de um mesmo projeto (Fotos: Gabriela Hautrive)

Um projeto de Horta Comunitária criado em abril de 2020 por conta da pandemia, para ajudar famílias carentes com alimentos, se expandiu e atualmente também conta com um Mercado Solidário e diversos benefícios no sistema colaborativo no Bairro Canabarro, em Teutônia. Com questões voltadas a sustentabilidade e ao meio ambiente, os itens não são simplesmente doados, mas sim trocados por algum outro material, dinheiro ou trabalho voluntário. Na horta existem 40 famílias cadastradas que fazem o uso de frutas e hortaliças, além de toda comunidade, hospital e entidades que trocam algum tipo de ajuda por itens da plantação.


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O sistema de trocas também acontece no Mercado Solidário onde muitas ações são realizadas, desde a reutilização de roupas, até a produção de bolsas, sabão, artesanato, costura e doação de alimentos. O trabalho conta com cerca de 20 mulheres voluntárias, algumas vítimas de violência doméstica, que lá recebem a oportunidade de ter sua renda própria e participam de oficinas em diversos segmentos como forma de preparo ao mercado de trabalho, além da contribuição voluntária ao projeto. As ações ainda se estende a um brechó com peças a partir de R$ 5 e a realização do evento Brick da Horta que reúne mulheres empreendedoras da cidade.

Pastora da Comunidade Evangélica Luterana Redentor, Cristiane Echelmeier (Foto: Gabriela Hautrive)

A pastora da Comunidade Evangélica Luterana Redentor, Cristiane Echelmeier, conta que que a horta, localizada na Rua Dom Pedro II, no Bairro Canabarro, em Teutônia, foi criada com o sentido de complementar os alimentos da cesta básica, e a partir disso as voluntárias acharam viável a realização do espaço.

“Onde as pudessem fazer o manejo da terra, dos canteiros, plantar, produzir e doar o excedente. Então o grupo de voluntários se formou e hoje nós temos também as pessoas que fazem o uso da horta e que se tornaram também voluntárias”, relata.

Mais de 40 pessoas ajudam ativadamente no processo, sem contar com a contribuição de cooperativas locais e entidades parceiras.

Mercado Solidário oferece alimentos em troca de trabalho voluntário ou outros produtos (Foto: Gabriela Hautrive)

Qualquer pessoa que deseja ser voluntária pode participar das ações, segundo a pastora. “É um projeto onde eu posso plantar aquilo que eu gostaria de comer, planto para mim e também doou para outras pessoas. Ele é importante porque mantém a saúde mental, é terapia, é convivência, é partilha”, destaca.

Por conta de questões ambientais, no local não é feito o uso de plástico, então é indicado que cada um leve sua sacola para retirada dos produtos. Também não é utilizado nem um produto químico, é uma horta totalmente orgânica, que em seu primeiro ano, em 2020, produziu cerca de 5 mil mudas de hortaliças, em 2021 foram mais de 10 mil, e a projeção para esse ano é de que ultrapasse esse número.

Roupas e calçados também são disponibilizados no Mercado Solidário (Foto: Gabriela Hautrive)

Mercado Solidário

Junto com a Horta Comunitária surgiu a necessidade de fazer a doação de roupas, calçados e cobertas, nascendo então um novo braço do projeto que é a Mercado Solidário. “O mercado acontece na sala da secretaria da comunidade luterana, na sub coordenação da Miriam Magedanz, o projeto faz oficinas de costura, de pães, pizza, sabão, oficinas diversas em que as mulheres aprendem algo, transformando sua realidade e com o foco principal na sustentabilidade, cuidado e preservação ao meio ambiente”.

Todas as peças que chegam no Mercado Solidário são destinadas a determinado segmento, porém nenhuma é descartada, todas são reaproveitadas de alguma forma. “Ela pode ser doada se estiver em bom estado, a que está em melhor estado vão para o brechó, que gera de novo dinheiro e renda para compra de alimentos e materiais de higiene e limpeza, e as peças que não tem mais uso podem ser transformadas em artesanato, ecobags e também estopa que são vendidas para ateliês e postos de combustíveis que gera renda de novo para as mulheres”, explica.

A pastora relata que o objetivo é ter comida boa na mesa, soberania alimentar para todas as pessoas, principalmente as que vivem em situação de vulnerabilidade social, mas além disso, dar a oportunidade para essas mulheres façam sua própria renda. “Hoje elas estão aprendendo a costurar através de pessoas voluntárias da comunidade para que possam ter qualificação para o mercado de trabalho e que possam sustentar suas famílias”. No mercado também funciona o sistema de trocas, seja de roupas ou outros itens. Uma pessoa que leva vidros, por exemplo, ganha um azeite, um 1kg de arroz ou feijão, dependendo da quantidade, e assim funciona com vários outros produtos.

Além disso, as pessoas possuem a opção de pegar alimentos e trocar isso por serviço voluntário no espaço. Seja dobrando roupas, atuando na separação dos materiais ou no manejo da horta. O projeto também atua com empréstimo de móveis, no sistema de rotatividade para beneficiar outras pessoas, além de doação de itens para crianças e repasse de material escolar para alunos carentes. Quem quiser contribuir com o projeto, tanto na Horta Comunitária como no Mercado Solidário, pode entrar em contato com a pastora e demais voluntários através do Instagram @comunitaria.horta.

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

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