“Meu maior desafio foi o psicológico”, diz ciclista que percorreu 7 mil km durante 90 dias

Tamar Peretti saiu no dia 1º de fevereiro e retornou a Guaporé em 1º de maio. Para reportagem da Rádio Independente ele falou sobre os desafios do percurso


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Tamar Peretti após percorrer os 7 mil km (Foto: Arquivo Pessoal)

Após 90 dias pedalando, enfrentando diversas situações climáticas, imprevistos e conhecendo novos lugares, pessoas e culturas, o ciclista Tamar Peretti, que reside em Guaporé na Serra Gaúcha, há cerca de 87 km de Lajeado, retornou para casa. Ele saiu no dia 1º de fevereiro, oportunidade que passou por Lajeado e conversou com a reportagem da Rádio Independente. Naquele momento, disse que estava iniciando o maior desafio de sua vida. No dia 1º de maio ele voltou com muitas histórias e cerca de 7 mil quilômetros percorridos na bagagem, através do Projeto “Pedal da América”, passando por quatro países da América Latina: Brasil, Uruguai, Argentina e Chile.


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O jornalista de 48 anos, editor da Revista Polo de Guaporé, contou qual foi o seu maior desafio durante o percurso: “Pra mim a maior dificuldade e desafio foi o meu psicológico. Eu estava sozinho, sem apoio, eu tinha que me virar com tudo, e você tem aquele dia que você está eufórico, alegre, agradecendo a Deus pelas oportunidades, por estar ali, mas existem momentos, jornadas ou até mais de um dia em que você está indeciso, você pensa o que estou fazendo aqui, onde eu estou, então o psicológico não foi muito fácil, eu tinha que brigar com ele para conseguir me manter”, relata.

Peretti lembra que muitas pessoas não acreditavam na realização do projeto e isso também passou a ser um novo desafio para ele. “Tive uma fase difícil, que foi no terceiro ou quarto dia da viagem, antes de chegar em Pelotas, eu tive um trajeto um pouco difícil e foi bem complicado, pois foi onde caiu a ficha desse desafio, comecei a me dar conta como era sofrido um dia de pedalar um dia todo, as estradas também que tinham um pouco de morro”, lembra.

Mas o ciclista não desistiu, foi seguindo o trajeto e enfrentando os obstáculos que apareciam. “Calma, vamos pedalando, vamos indo, e graças a Deus, com foco e objetivo, chegamos ao final do projeto”, celebra. No caminho, conta que entrou no Uruguai pelo Chuí, atravessou o litoral do país e seguiu viagem. “Depois eu cruzei a Argentina, de Buenos Aires a Mendonça, subi a cordilheira, desci, entrei no Chile, em Santiago e fui até Viña del Mar e Valparaíso que é onde cheguei no Oceano Pacífico, e que esse meu desafio cruzou do Atlântico ao Pacífico de bicicleta”.

Depois Peretti subiu 1,3 mil quilômetros de Costa Pacífica, até entrar no território do Atacama, seguindo pelo deserto até São Pedro do Atacama. “Foram três dias cruzando esse local, 320km só de deserto, e depois fui em direção a Argentina, cruzei toda ela de novo, e retornei a Guaporé”, conta. O ciclista afirmou que esse não será seu último desafio, mas neste momento quer curtir a família e amigos, e quem sabe daqui há dois anos fazer um novo roteiro, talvez pelo Brasil e também com outras ações que não seja de bicicleta.

Surgimento e inspiração do projeto

Segundo Peretti, o projeto surgiu no início da pandemia com a ideia de se movimentar mais e buscar qualidade de vida. “Eu me identifiquei muito com a bicicleta e virei um cicloturista, criei um projeto chamado de ‘Pedalotur’, onde visito diversos pontos turísticos do RS, com especialidade nas capelas do interior, sendo que foram nove municípios da região da Serra”, conta. No projeto, ele vai fotografando e divulgando cidades e pontos turísticos com valorização para o interior, capelas, natureza e paisagens.

Baseado nisso, o ciclista resolveu ir além e pedalar dando a volta na América. Para se manter na estrada, ele contou com a ajuda de cerca de 70 padrinhos, com doações de R$ 400 por cada um deles, além de patrocinadores com marcas estampadas na roupa do ciclista e que viabilizaram a compra de um bicicleta patrocinada. Além do desejo em praticar um esporte e ter uma qualidade melhor de vida, Peretti buscou inspiração em um livro para realizar o desafio: “De um rapaz do interior de São Paulo que viajou a América por 17 países, o livro se chama Fé Latina de Beto Ambrosio”, conta.

Como é muito fã da Argentina e do Uruguai, o ciclista comprou o livro, mas apenas na intenção de conhecer a história, porém após concluir o material, o desejo mudou. “Tomei a decisão e disse isso eu vou fazer, vou fazer antes dos meus 50 anos de idade, vou ter essa história na minha vida, por me identificar com o ciclo turismo e por tudo que estou vivendo”, completa. Quem deseja acompanhar o ciclista Tamar Peretti pode seguir ele nas redes sociais, através do Instagram @pedalotur e página no Facebook, no pefil Tamar Peretti.

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

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