Minhas virtudes, teus defeitos

Como a “empatia negativa” pode prejudicar a nossa evolução pessoal.


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Gustavo Bozetti, diretor da Fundação Napoleon Hill e MasterMind RS (Foto: Arquivo / Artur Dullius)

Durante essa semana eu conversava com um amigo que, além de ser profissional autônomo de grande sucesso na nossa região, também possui uma empresa no segmento educacional. Falávamos sobre o mercado de trabalho e sobre o desafio que é o comprometer as pessoas que trabalham conosco. Esse meu amigo comentou que havia, na sua escola, uma pessoa que frequentemente se atrasava. Ele decidiu ter uma conversa para abordar aquele comportamento inadequado, corrigi-lo e melhorar a performance da pessoa e, consequentemente, a pontualidade da empresa. Reservou um momento apropriado, preparou a conversa antecipadamente, conduziu a conversa da maneira mais adequada possível, tudo “como manda o figurino”.


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Quando a pessoa se posicionou, ela disse que estava sendo “o espelho do líder”, acusando o meu amigo de cometer o mesmo erro, já que, certa vez, ele havia se atrasado para um compromisso. Naquele momento ele argumentou que ela não estava sendo espelho dele em diversos aspectos positivos. Ele possui diversas especializações na sua área de atuação e continua estudando, enquanto ela não completou, ainda, o ensino médio, apesar da insistência dele (ela parou de estudar faz alguns anos). Ele possui um jeito carismático de lidar com as pessoas que, de longe, é parecido com o jeito que ela lida com as pessoas. Ele comentou que a quantidade de vezes que ele se atrasou foram inúmeras vezes menores do que ela havia se atrasado, além dos motivos que provocaram os atrasos serem completamente diferentes dos motivos dela (ele estava atendendo pacientes enquanto ela estava em casa). O resultado foi que, algum tempo depois, a pessoa teve que ser demitida.

O que me chama a atenção nessa história é que a grande maioria das pessoas possui uma habilidade gigante de encontrar os defeitos dos outros, ficando “cegas” diante das virtudes e qualidades dos mesmos. Na situação acima, além de demonstrar falta de empatia com relação as qualidades do seu superior, a pessoa ainda demonstrou ter pouco respeito a autoridade.

Podemos tirar algumas grandes lições desse episódio. A primeira delas é que, cada vez mais, o líder está sendo vigiado pelos seus subordinados. O líder deve saber lidar com essa autoridade, deixando claro os pontos que estão sendo observados para que as pessoas não façam um mau julgamento do que elas estão vendo. Cada vez mais, devemos saber lidar com essa autoridade, deixando claro que as tarefas de um nem sempre são as mesmas tarefas do outro. A segunda lição é que precisamos nos espelhar nas qualidades das pessoas que nos lideram, e não enxergar, apenas, os defeitos. Se quisermos evoluir, devemos melhorar o que já está bom e corrigir o que deve ser corrigido, e não justificar que somos ruins em alguma coisa porque nossos superiores também são. Outra lição importante (talvez a mais importante) é com relação ao respeito a hierarquia.

Quem não compreender esse ponto ao longo da vida, cometerá erros imaturos, ingênuos, graves, durante toda a vida. Respeitar a hierarquia não quer dizer que devemos ser obedientes, mas sim, que devemos expor as nossas opiniões e idéias de forma adequada, afinal, regras são feitas para serem cumpridas. Se não concordamos com alguma regra, devemos expor nossa opinião para que a autoridade responsável mude a regra, e não sair descumprindo aquilo que está acordado. É fundamental que tenhamos essas lições muito presentes nas nossas personalidades para que o nosso desempenho evolua sempre. Forte abraço e até a vitória, sempre.

Gustavo Bozetti (@gustavobozetti), diretor da Fundação Napoleon Hill e MasterMind RS

 

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