Miúdos de galinha


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Foto: Divulgação

Talvez para alguns a palavra miúdo queira dizer pequeno. Mas a que quero me referir é os miúdos da galinha. Para outros chamavam de “pertence”.


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Mas esta história data lá por 8000 a.C. quando os nômades começaram a se fixarem em algum local para criarem filhos, protegerem os velhos, iniciarem alguns plantios e criarem animais entre eles a galinha. Tudo indica que esta ave, pelo menos como tal conhecemos, é originária de galinhas vermelhas das florestas da Índia e da Indochina.

Entrou na Europa pela Grécia foi para a Itália e os romanos trataram de aprimorar os pratos e passaram por todo seu grande império. Fazia parte dos famosos banquetes, destes que aparecem nos filmes. Já os árabes quando conquistaram a Península Ibérica Espanha e Portugal levaram o hábito de comer galinha para lá. De onde veio para o Brasil quando D. João I chegou aqui para colonizar o nosso País.

Da galinha tudo se aproveita seus cortes mais diversos, ovos, as penas, ossos e até o canto do despertar do galo que hoje são gravados no celular para acordar a turma mais cedo. Os miúdos? E aí trago a vivência que tive de guri em Santa Cruz do Sul. Meu pai (veterinário) tinha um galinheiro com perto de 150 aves no fundo de casa.

E era um dos poucos que existiam. Fornecia galinhas para os que compravam para fazer canja, remédio dos doentes. Ou em caso de algum almoço especial de domingo ou aniversário. O consumo era para casos especiais. E o consumo na família era assim também. Quando a mãe fazia às canjas a briga pelo coração, fígado, moela era grande éramos sete filhos.

Com o início de abatedouros “legalizados” e o crescimento do consumo as primeiras aves vendidas eram inteiras e vinham com um pacotinho com os miúdos. E aí alguns chamavam de “pertences” (coração, moela, fígado, pescoço, cabeça e pés), as partes que eram da ave e na época tinha pouco valor de mercado e era o jeito de empurrar para o consumidor.

Com o aprimoramento da comercialização da culinária e aumento do consumo surgiu os mais diferentes cortes, embutidos (salsichão, mortadela), e o aproveitamento dos miúdos ficou importante. O consumo do coraçãozinho para os brasileiros se tornou uma febre. Somos o maior consumidor do mundo e no ano de 2016 foram cerca de 5,86 bilhões de unidades. Consumida em espetinhos na rua, nos churrascos, em rstaurantes, pizzas, com molho e massa, preparado no micro ondas e nas mais diversas receitas.

Para um quilo de coração é necessário abater de 85 a 100 aves. Mas o consumo não é pacífico, algumas pessoas condenam o consumo. E de certa forma é preciso ter alguns cuidados, é rico em gordura, colesterol e ferro as pessoas que tem problemas de saúde relacionados devem ter um pouco de cuidado. E sempre bem passado. Hoje é considerado o quarto item de valor agregado na comercialização de aves.

Mas miúdos não é só o coraçãozinho. Os asiáticos tem consumo diferenciado dos nossos e valorizam partes e tem hábitos que nos parecem estranhos. Outros países também acham estranho nós consumirmos coração. O Japão compra muita moela. O fígado 30% vai para o mercado externo, e 30% são vendidos no mercado interno. O restante faz parte na composição de rações para pequenos animais.

Se olharmos hábitos de consumo há quem tenha gostos “estranhos” e tornam alguns destes miúdos pratos considerados especiarias. Há receitas só com as cristas, os chineses adoram cabeças, as tripas secas, marinadas e fritas são deliciosos aperitivos. O consumo de miolos, ovos ainda não prontos, patês, salsichões, peles de frango, pescoço, sambiqueira tem lá suas formas de comer.

A ponta da asa iguaria dos asiáticos traz um bom mercado exportador. Esta ave “nada se perde tudo se transforma”. Só não me venham com mocotó de galinha, isto não existe. Mocotó vem do bucho, mondongo que é do gado. A galinha tem moela então é um sopão. Fica aí para discussão.

2 Comentários

  1. Aqui pelo interior do Rio Grande do Norte, se costuma dizer que uma galinha é cortada em 23 pedaços. Você pode mencionálos?

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