Moradora de Arroio do Meio reconstrói casa arrastada pela enchente com ajuda da comunidade

Avenilda Hennika (52) perdeu todos os móveis, roupas, documentos e teve parte da residência destruída. Ela recebeu inúmeras doações e ajuda da prefeitura.


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Avenilda Hennika na sala nova da residência (Foto: Gabriela Hautrive)

No dia 14 de julho deste ano, a reportagem da Rádio Independente conversou com Avenilda Hennika, de 52 anos, que havia perdido todos seus móveis, roupas, documentos e teve parte de sua residência arrastada pelas águas do Rio Taquari na maior enchente da região nos últimos 64 anos. O nível do rio chegou a sua elevação máxima, marcando 27,39 metros no Porto de Estrela. Naquele dia, o cenário era totalmente de destruição, no Bairro Navegantes, em Arroio do Meio, onde reside Avenilda.


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Com tudo cheio de lama e água, a moradora disse que a perda era grande, uma herança de família, mas que não iria desistir. Nesta quarta-feira, dia 30 de dezembro, completam-se dois meses desde que ela conseguiu reconstruir sua casa, devido a ajuda de muitas pessoas. Foram repassados R$ 5 mil por parte da Prefeitura de Arroio do Meio, cestas básicas da assistência social do município, além de inúmeras doações vindas de diferentes pessoas e cidades da região.

Poder fazer refeições novamente em sua casa é uma alegria para a moradora (Foto: Gabriela Hautrive)

“Muitas coisas que acontecem na vida da gente não são por acaso. Eu tive forças em Deus e toda a trajetória dessa cheia me deixou mais forte ainda, serviu para provar que quando queremos algo, nada é impossível”, relata. Durante o período de reconstrução, Avenilda morou de aluguel em uma vizinha na mesma rua da residência. Trabalhando com serviços de limpeza, recentemente ficou um mês sem renda por ter testado positivo para a Covid-19. Em isolamento, não podia trabalhar, mas agora está recuperada e seguirá batalhando para realizar melhorias na casa.

“Foi um tombo muito grande, perdas enormes, mas alcancei tudo novamente, cinco meses depois estou na minha casa, não está como eu queria, mas eu me sinto bem e busco alcançar cada vez mais o melhor”, conta. A parte da frente da residência, onde tinha uma cozinha, foi levada pelas águas do Rio Taquari. No local já foram erguidas paredes e colocado piso, mas ainda não há uma estrutura fechada. Enquanto isso, a moradora improvisou uma cozinha nos fundos para fazer suas refeições.

“Todos os móveis que tenho na minha casa foram doações, pessoas de coração muito bom”. Além disso, a pintura e organização da residência, foram feitas através das mãos de dona Avenilda. “Restaurei tudo com prazer, cada pincelada de tinta que tem aqui fui eu quem deu. Hoje eu limpo a minha casa com muita alegria e não esqueço de agradecer a todas as pessoas que foram solidárias comigo”. Nesse período ela também recebeu auxílio de uma psicóloga, de forma voluntária, que entrou em contato com a reportagem e desde então realiza atendimentos virtuais. “Ela (psicóloga) me ajudou e tem me ajudado muito, é uma pessoa muito especial, agradeço a todas as pessoas que fizeram doações, pessoas que não sei nem citar nomes, pois não sei quem são”, destaca.

Relembre

Em julho de 2020 a enchente começou a afetar o Vale do Taquari e gerar transtornos, com fechamento de ruas já na noite de uma terça-feira, dia sete. Por volta da 1h da quinta-feira (9), o nível do Rio Taquari chegou a sua elevação máxima, marcando 27,39 metros no Porto de Estrela. “Tivemos uma surpresa muito grande, foi um imprevisto. Por essa não esperávamos, uma coisa inacreditável, anos e anos se passaram e nunca vi uma cheia desse tipo”, relatou Avenilda naquela oportunidade.

Quarto da casa ficou totalmente destruído após a enchente (Foto: Gabriela Hautrive / Arquivo Rádio Independente)

Com 24 metros, a água já invadia sua casa, mas em outras três oportunidades, sempre conseguiu erguer os móveis a tempo de não danificá-los. Avenilda e outros moradores da Rua Campos Sales, no Bairro Navegantes, em Arroio do Meio, tentaram se refugiar no segundo andar da casa de um vizinho e foram resgatados pela Defesa Civil. Sem casa e desempregada, a moradora também havia perdido a renda que ganhava com aluguel em um espaço ao lado de sua residência, mas tudo foi destruído pela força da água.

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Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

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