Motoristas protestam pelo aumento no preço dos combustíveis e taxas repassadas por aplicativos em Lajeado

Cerca de 50 profissionais paralisam atividades nesta terça-feira (23). Eles dizem que o litro da gasolina está mais caro que o valor repassado pelos apps.


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Os recorrentes aumentos nos preços dos combustíveis no país geram impactos para população e, principalmente, para profissionais que trabalham com transporte, seja de pessoas ou mercadorias. Só em 2021, essa já é a quarta vez no ano que a Petrobras aumenta o litro da gasolina nas refinarias e acumula alta de 34,78% desde o início do ano. Já o diesel subiu 27,72% no mesmo período. Devido a essas elevações, associadas aos valores repassados pelos aplicativos de transporte aos motoristas, os condutores, em diferentes regiões do Estado do Rio Grande do Sul, se mobilizam em busca de melhorias.


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Em Lajeado, na manhã desta terça-feira (23), cerca de 50 profissionais se reuniram nas imediações do Posto do Arco, às margens da ERS-130, para protestar. A principal reclamação é sobre o valor pago pela gasolina e o valor mínimo repassado por cada viagem, sendo que os motoristas do Uber ganham R$ 4,80 e o valor da gasolina passa de R$ 5. Muitos deles dizem estar “pagando para trabalhar”. Conforme Jean Alberto Fischer, de 33 anos, que há dois trabalha como motorista de app, a ideia é não ativar as plataformas durante o dia de hoje. “Vamos fazer uma manifestação pacífica em prol do nosso bem-estar, quantas corridas teremos que fazer, ganhando R$ 4,80, para sustentar uma família?”, questiona o profissional.

VÍDEO: Motorista Jean Alberto Fischer, de 33 anos, trabalha com aplicativo há dois e reclama das taxas cobradas e aumentos do combustível

Vídeo: Gabriela Hautrive

Outro motorista, Nícolas Consul, de 35 anos, que atua na área há um ano, diz que os valores vigentes, tanto para os profissionais como no preço dos combustíveis, são abusivos. “É o mesmo que estar pagando para trabalhar, então o que estamos fazendo, quase com 50 motoristas, é preciso, pois não temos como trabalhar desse jeito”. O condutor Yhago Pasinatto, de 27 anos, reforça as colocações dos colegas de profissão e acrescenta que há outras exigências aos motoristas que geram custos. “Um veículo depende de pneu, seguro, limpeza, então não tem como trabalhar desta forma. Passamos por um momento tão difícil de pandemia e queremos trabalhar pelo menos para ganhar o mínimo”, relata.

Atuando há mais de 30 anos como motorista, antes como caminhoneiro e mais recente em transporte por aplicativo, Luiz Carlos Cicceri, de 64 anos, avalia o movimento como positivo. “Todos os motoristas devem abraçar essa caminhada, pois a gasolina neste mês de fevereiro deve chegar a R$ 6 e o GNV há R$ 3,90, então precisamos nos unir”, reforça. A mobilização começou a ser organizada a partir de motoristas de Porto Alegre que também paralisaram as atividades nesta terça-feira. Ato também estava previsto para ocorrer em Santa Cruz do Sul, além de outras regiões do estado.

Em Lajeado, a programação que começou no Posto do Arco, por volta das 8h30, seguiu em carreata para o Parque dos Dick ao longo da manhã. A ideia dos motoristas é ficar “sem trabalhar” durante todo o dia, ou seja, não fazer nenhuma viagem nesta terça-feira (23). Alguns profissionais ficarão com os carros estacionados nas ruas e outros iriam para suas casas.

Regulamentação da categoria

Ao ser questionada sobre regulamentação dos motoristas de aplicativos em Lajeado, a prefeitura respondeu, por meio do secretário da Fazenda, Guilherme Cé, que não como a pasta fazer um pronunciamento “em uma situação genérica”. O secretário explica que “cada motorista, individualmente, pode ou não estar devidamente regularizado conforme legislação vigente”.

Segundo Cé, não há uma lei municipal regulamentando a atividade desses profissionais, já que eles estão sujeitos a regulamentação pela lei federal 13.640, devendo estar cadastrados como contribuinte individual do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) nos termos da alínea h do inciso V do art. 11 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991.

Explicação sobre aumento no preço do combustível 

O diretor comercial da Distribuidora de Combustíveis Charrua, Dag Cremer, explica que há aumento nos combustíveis pelo fato de que a Petrobras, por determinação do Governo Federal, precisa seguir a cotação internacional, que tem o petróleo com preços disparando neste momento. “Os Estados Unidos e a Europa possuem um inverno muito rigoroso, então é preciso petróleo para aquecimento, o que aumenta o consumo e consequentemente os preços que refletem aqui” relata. Conforme o diretor, quando o inverno acabar naquela região, os valores devem baixar e a redução chegar nas bombas dos postos logo em seguida.

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br


1 comentário

  1. Queria que todos entendessem que esse governo tem grande parcela de culpa, estão sucateando a Petrobras, estão vendendo as refinarias e priorizando o envio de petróleo crú para os Estados Unidos e comprando os derivados já refinados elevando o custo dos mesmos por estar negociando em dólar. Bolsonaro interveio na empresa causando um prejuízo irreparável e quem pagará essa conta será o povo. Devíamos lutar por uma petrobras cada vez mais forte, do poço ao posto. E dessa forma conseguiria negociar a um preço mais justo.

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