Mudar critérios de paridade, de indicação na Petrobras e fazer CPI não vai resolver nosso problema, afirma Cintia Agostini

Economista e vice-presidente do Codevat argumenta que uma saída sustentável seria criar mecanismos para minimizar os impactos, como corte de impostos e subsídios


0
Cintia Agostini é economista e vice-presidente do Codevat (Foto: Nícolas Horn)

A economista e vice-presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), Cintia Agostini, falou sobre o preço dos combustíveis e o impacto no mercado interno, bem como analisou o que leva a esse aumento no quadro “Direto ao Ponto” desta terça-feira (28). Em função desse problema, o governo, controlador da Petrobras, tem pressionado a empresa a fazer algo para conter a elevação aos consumidores nos postos de gasolina. “Não é necessariamente a culpa de alguém, mas a dinâmica que existe no mercado internacional e interno”, observa.


ouça o quadro “direto ao ponto”

 


Segundo ela, afetam a cadeia produtiva a pandemia, a guerra na Ucrânia e o câmbio elevado, bem como a inflação global. Cintia lembra também que o petróleo é um produto finito e serve como matéria-prima para mais de 3 mil itens. “A alta procura no mercado internacional encarece o preço e ninguém quer trabalhar no prejuízo”, afirma a economista, sobre a atual política de preços da Petrobras, de paridade com o mercado internacional.

De acordo com Cintia, o Brasil é autossuficiente na produção de petróleo, mas as características do óleo são diferentes para cada finalidade. Esse fator, aliado a capacidade de refino, fazem com que o país tenha que importar boa parte do óleo de fora. A economista ressalta que a capacidade de refino da Petrobras está no limite por falta de investimento.

A vice-presidente do Codevat afirma que mudar a política de preços e a Lei das Estatais não é a melhor forma para aplacar a alta dos preços, pois a Petrobras precisa de gestão técnica para atender as necessidades empresariais e de Estado, e não do governo.

De acordo com ela, a saída sustentável é criar mecanismos para minimizar os impactos. “Mudar critérios de paridade, mudar critérios de quem está lá fazer e CPI não vai resolver nosso problema. Vai resolver nosso problema realmente dar conta de mecanismos que, quando esses preços ficarem muito desajustados, minimizem os impactos na sociedade. Aí sim teremos uma empresa sólida na relação com o mercado, mas também olharemos para a sociedade, na medida que a nossa renda não é compatível com esses preços”, argumenta.

Cintia avalia que o quadro não tem perspectiva de melhora no curto prazo. Conforme ela, em um mercado competitivo vale a pena privatizar. Agora se é somente transferir o monopólio do Estado para o privado, os efeitos positivos do livre mercado não se concretizam.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui