“Muita gente olha com pena, como se fosse um problema de saúde”, relata portadora de nanismo

"Já me perguntaram se eu era a pessoa do programa da televisão" que faz aquelas 'brincadeiras'. Daiane Morgenstern participou do quadro Sem Preconceito na manhã desta sexta-feira. Ela ainda falou das dificuldades de acessibilidade, família, carreira, moda inclusiva e muita mais; confira!


0
Daiane Morgenstern (Foto: Rodrigo Gallas)

“Na maioria das situações as pessoas não chegam a verbalizar, não dizem: ‘nossa que amor uma menina muito pequena’ [..] ou algo neste sentido. Mas é perceptível pelo olhar. Muita gente olha com pena, como se fosse um problema de saúde: ‘ela está doente’. Isso é muito perceptível.” O relato é da portadora de nanismo Daiane Morgenstern, que participou do quadro Sem Preconceito em um bate-papo no programa Panorama na manhã desta sexta-feira (23).

Ela conta que aconteceu diversas vezes de as pessoas a relacionarem aos portadores de nanismo da TV. “Já me perguntaram se eu era a pessoa do programa da televisão” que faz aquelas ‘brincadeiras’. “Perguntaram se eu faço as mesmas coisas que as pessoas portadores de nanismo são “obrigadas” a desempenhar na mídia.


ouça a entrevista

 


 

Diz que não gosta do terno anão, que é popularmente usado pela população de forma incorreta. No entanto, reconhece que há muitos portadores de nanismo que se auto intitulam anões em redes sociais, por exemplo.

Daiane Morgenstern (Foto: Arquivo Pessoal)

Em Lajeado, segundo estimativa de Daiane, há em torno de seis ou sete portadores de nanismo.

Entre as dificuldades mais comuns em relação a falta de acessibilidade estão porta pesadas com maçanetas altas, acesso aos banheiros, a torneiras, meio-fio alto e calçadas esburacadas. “Como nossas pernas são curtas, nosso movimento é muito mais limitado. Tendo uma calçada com diversos obstáculos se torna difícil de caminhar.”


O nanismo e a família

Embora às vezes seja hereditário, a maioria dos casos de nanismo é causada por uma mutação genética. É por isso que a maioria das pessoas com acondroplasia são filhas de pais de estatura mediana. A família de Daiane tem estatura ‘normal’. Em geral, pessoas com acondroplasia possuem braços e pernas curtos, cabeça grande e um tronco de tamanho médio.

Daiane é o único caso na família, que é de agricultores. “Quando nasci eles não souberam muito bem o que fazer. Existia pouca informação, pouco relatos sobre o nanismo. Fomos nos adaptando conforme dava. Nós nunca tivemos muita condição financeira. Então tive que me adaptar com tudo que tinha lá em casa”, relata explicando que todos os membros da família tem estatura normal. Desta maneira, ela fez adaptações improvisadas, pois realizar adaptações permanentes tornaria a casa disfuncional para os demais membros da família.

Daiane estuda nutrição na Universidade do Vale do Taquari (Univates). Ela ainda falou sobre moda inclusiva, carreira e muito mais. Ouça a entrevista no player acima!

Texto: Rodrigo Gallas
web@independente.com.br

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui