Muitos avós cuidam dos netos para salvar a família de enrascadas financeiras

O convívio entre avós e netos é emocionalmente saudável, no entanto, a sobrecarga de responsabilidades de tal ordem também pode gerar desgastes.


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Foto: Ilustrativa

Li, outro dia, algo mais ou menos assim: aprendemos a ser filhos quando nos tornamos pais. Aprendemos a ser pais quando nos tornamos avós. Esse dizer tem uma sabedoria interessante. Falo hoje do lugar de avó. Desde que sou avó tenho me lembrado, infinitas vezes, da minha mãe e tenho cada vez mais convicção de que não agradeci o suficiente por toda ajuda que tive na criação dos meus filhos. Juro por Deus que não fiz por mal, mas hoje vejo que, bem possível, minha mãe também devia ter finais de semana em que estava cansada, ou dias em que tinha vontade de fazer algo diferente que não fosse cuidar de crianças. Com certeza, havia situações em que estava com dores pelo corpo, ou até mesmo incomodada do ponto de vista emocional. Contudo, eu nunca percebi nada ou não quis ver. Só me dei conta depois que fiquei avó.


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Assim como eu, muitos avós devem refletir sobre o assunto. Um tema que, inclusive, aparece nos consultórios e que hoje consigo abordar com muito mais propriedade. Você não precisa sentir culpa por estar cansada, indisposta ou até, em algumas ocasiões, sem vontade de ficar com as crianças. Por mais que você ama a companhia dos netos, você tem a sua rotina, a sua agenda e, seria muito saudável, se você pudesse sinalizar para seus filhos quando não consegue assumir esse compromisso de cuidado.

Por outro lado, a realidade também aponta que os avós salvam muitas famílias de enrascadas financeiras, nesse caso, assumindo o cuidado das crianças, evitando que os pais tenham despesas com babás ou creches. Isso ocorre com mais intensidade desde que a mulher entrou para o mercado de trabalho, ou até mesmo porque muitos adolescentes têm filhos cedo e, então, precisam desse suporte para que possam dar conta dos seus compromissos profissionais.

O que é certo é que o convívio com os avós é muito benéfico para a saúde emocional das crianças, desde que os avós saibam impor limites e estejam cientes de que não podem ser, o tempo todo, pais com açúcar. Da mesma forma, é muito importante ter a clareza de que os avós precisam ter um tempo para si, para seus hobbies, distrações, grupos de convívio. O convívio entre avós e netos é emocionalmente saudável, no entanto, a sobrecarga de responsabilidades de tal ordem também pode gerar desgastes.

Dirce Becker Delwing, psicóloga e psicanalista clínica

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