Mulher rural protagonista

Confira o comentário do engenheiro agrônomo Nilo Cortez.


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Foto: Divulgação

Não sei o que vem primeiro a ação ou a estatística é uma boa discussão. Quando iniciou a ASCAR-RS em 1955 os organizadores que tinham vínculo com o meio rural selecionaram os primeiros empregados considerando Agrônomos, Veterinários e Técnicos Agrícolas. E para trabalhar com as mulheres as “Extensionistas” profissionais com cursos que se relacionavam com as atividades de educação e da casa. Um avanço na época por que consideravam as agricultoras para cuidarem dos filhos, marido e casa. O trabalho na roça continuidade.

As atividades de extensão rural mostravam cada vez mais que a trabalhadora rural tinha múltiplo papel na propriedade. Sim cuidava da família, ajudava na lavoura e criação, predominava na educação dos filhos e em muitas propriedades era ela que “pensava” na organização. Cabia ao homem a força bruta do fazer na maioria das vezes. As estatísticas não mostravam isto, mas o dia a dia do trabalho sim.

Havia dinheiro para dar cursos para produtores. As produtoras eram separadas e atendidas por atividades (projetos). Em determinado momento fomos demandados pelo grupo de mães de Canudos do Vale, então distrito de Lajeado, um curso para plantar feijão. A Cecília extensionistas levou para reunião onde eram propostas a aplicação dos recursos. Deu uma briga com os organizadores que não acreditavam que as mulheres plantavam feijão. Eram de Brasília onde a realidade era bem diferente de nós. No fim conseguimos em caráter experimental e realizamos o curso e ainda se conseguiu distribuir boas sementes que deram frutos. E daí para frente não tivemos mais obstáculos para realizar cursos para as trabalhadoras rurais na área produtiva.

Com a vinda das Agroindústrias familiares, e esta eu participei desde o início, as mulheres sempre foram em maior número nos cursos relacionados a doces, conservas e laticínios. Nas carnes predominavam homens, mas, muitas mulheres participavam. Tanto é que nas agroindústrias atuais quase sempre tem uma mulher lado a lado com os familiares no comando. E já acrescento filhos e filhas chegando e pegando a continuidade da atividade. Muitas vezes não aparece nas estatísticas, mas, estão acontecendo.

De uma certa forma o Censo Agropecuário de 2017 traz números gerais interessantes. Em relação ao censo anterior houve um aumento para 18,7% das propriedades, cerca de 946 mil, onde as mulheres comandam as propriedades. E outras 817 mil que participam de forma compartilhada na administração.

Dia 8 de março é dedicado a “Dia Internacional da Mulher” para chamar atenção dos seus direitos e mostrar o protagonismo delas nas atividades agropecuária. E cá entre nós tem dado certo.

Os tempos são outros, se antes tínhamos festas, reuniões, eventos onde milhares se encontravam presencialmente, atualmente o “fique em casa” amarrou as comemorações.
A EMATER/ASCAR-RS não vai deixar passar em branco a data. Convida a todos que puderem a participar do “ENCONTRO ESTADUAL DE MULHERES” segunda feira dia 8 de março ás 14 horas pelo youtube. Palestrante Dra. Em Direitos Humanos Joice Graciele Nielsson.

Sabemos que ainda o sinal é escasso no meio rural e em outras regiões não é dos melhores. Mas já é um avanço para esta nova tecnologia que aos poucos vai chegando sim nas propriedades rurais. Um grande abraço as trabalhadoras rurais e as “extensionistas rurais”, Agrônomas, Veterinárias, Técnicas Agrícolas e todas profissionais mulheres das atividades agropecuária. Protagonistas de tantas atividades e conhecimento da nossa agropecuária.

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