Na Itália, voltar ao trabalho depende de ter anticorpos

Com queda no número de contágios, país discute testar imunidade ao coronavírus para definir quem está livre e quem fica confinado.


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Idosos caminham em Veneza para fazer compras; Itália quer testar os imunes (Foto: Manuel Silvestri/Reuters)

Esse debate está, de certa forma, à frente da ciência. Os pesquisadores não têm certeza, mas estão esperançosos de que os anticorpos de fato indiquem imunidade. Mas isso não impediu os políticos de se apegarem à ideia, já que eles começaram a aumentar a pressão para movimentar a economia e evitar que o país mergulhe em uma depressão econômica generalizada.

O governador conservador de Veneto propôs uma “licença” especial para os italianos que possuem anticorpos que mostram que eles tiveram o vírus e foram curados. O ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, liberal falou sobre um “Covid Pass” para os não infectados. O primeiro-ministro Giuseppe Conte disse que, enquanto o confinamento continua valendo, o governo já começou a trabalhar com cientistas para determinar como enviar as pessoas que se recuperaram da doença de volta ao trabalho.

A Itália foi o primeiro país europeu a anunciar o isolamento em todo o território nacional, que começou em 9 de março. Mas a taxa de novas infecções diminuiu na semana passada, o que levou as principais autoridades e profissionais da saúde a conversar com otimismo cauteloso.

Mas o debate sobre uma força de trabalho baseada em anticorpos voltou a colocar a Itália na infeliz vanguarda das democracias ocidentais que lutam contra o vírus, suas escolhas éticas desconfortáveis e consequências inevitáveis. Tais questões já foram levantadas pelas difíceis decisões dos médicos em tratar os jovens, com maior chance de vida, antes dos idosos e doentes.

Fonte: Estadão

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