Na UTI do HBB, profissionais buscam motivar um ao outro para seguir no combate à Covid

Enfermeira relata o clima no hospital de Lajeado: “Mesmo de máscara, a gente sabe quando um profissional não está bem naquele momento só pelo olhar”.


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Marilis de Castro atua na UTI Geral da casa de saúde de Lajeado (Foto: Tiago Silva)

A enfermeira Marilis de Castro, que atua na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Bruno Born (HBB), falou sobre como a pandemia de coronavírus alterou as rotinas de trabalho da equipe que atua na casa de saúde lajeadense, que tem que encontrar forças um no outro para seguir em frente em meio à incerteza e ao medo de contaminação.

Em entrevista ao programa Troca de Ideias desta quarta-feira (13), ela explicou que antes da crise sanitária os profissionais tinham seis horas de trabalho diário, e cumpriam horários em sábados ou domingos, conforme escala. Agora, fazem regime de plantão de 12 horas de trabalho por 36 de folga. O HBB tem uma UTI geral, com 20 leitos, e uma específica para pacientes com Covid, com 10 quartos.


ouça a entrevista

 


Conforme ela, a pressão é grande sobre quem trabalha na linha de frente de combate à doença que parou o mundo em 2020. “A pressão sempre é grande, porque a todo instante a gente está com uma demanda super alta, tanto da UTI Geral como na UTI Covid, que por muitas vezes já chegou à lotação máxima, e isso nos preocupa bastante.”

A enfermeira relata que os pacientes que internam na UTI com Covid “são muito graves” e “requerem muito cuidado”. Até um simples movimento no paciente, ao ajeitá-lo na cama do hospital, pode causar alterações em seu quadro de saúde, explica Marilis.

Esse cenário afeta o emocional dos médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, que se identificam e sentem as dores com os pacientes e as famílias. “Todos nós somos humanos, todos nós temos nossos anseios e medos também”, aponta.

Marilis diz que a equipe procura se motivar, com palavras de carinho e afeto. “São pequenos gestos que acabam motivando a equipe em geral”, nota. “Mesmo de máscara, a  gente sabe quando um profissional não está bem naquele momento só pelo olhar”, percebe, ao falar de ações entre eles que tentam levantar a estima.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

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