Não é fácil saber o momento certo de falar ou de silenciar

Sim, é um desafio identificar em quais situações é melhor ficar quieto


0
Foto: Ilustrativa

Outro dia minha menina fez uma observação. Disse que o seu jeito de ser é muito parecido com o meu. Contudo, há uma ressalva.

— Eu sou mais corajosa do que tu. Eu falo logo se algo me incomoda. Discuto e brigo para expor minha opinião. Tu, mãe, nem sempre te defendes com coragem.

Em grande medida, concordei que ela é mais destemida na hora de se manifestar. O poeta grego Eurípides, que viveu antes da Era Cristã, avisava: “Não dizer o que pensa. Essa é a condição de um escravo”. Pensando assim, considerei importante pontuar que minha menina tem mais liberdade para se expor e que tem as costas aquecidas pela estrutura familiar. Fica fácil pagar pra ver. Da mesma forma como muitos jovens ainda fazem hoje, tive que me virar sozinha desde muito cedo, morar com gente com quem não tinha nenhum vínculo familiar. Muitas foram as vezes em que me calei mesmo tendo uma opinião bem diferente.

Não tenho grande ranço com isso. Considero sabedoria tu reconheceres que estás numa situação em que precisas ficar na tua, que é melhor recolher tuas vaidades do que querer ter a última palavra. Penso que a incapacidade de ser contrariado pode tirar grandes oportunidades na vida pessoal e na carreira. Não estou falando de aceitar injustiças ou abusos emocionais. Abordo a importância de saber escutar sem logo ter que ir para a defensiva.

De outro modo, é necessário frisar que muitas pessoas nunca dizem o que pensam com medo de perder o apreço alheio. E isso também não é saudável porque acabam sendo omissas consigo mesmas. Quando nos calamos porque não sabemos lidar com o mal-estar que pode ser gerado diante de uma conversa sincera, podemos acumular mágoas e chateações. Sim, é um desafio identificar em quais situações é melhor ficar quieto. Talvez foi isso que Millôr Fernandes desejou dizer: “Com muita sabedoria, estudando muito, pensando muito, procurando compreender tudo e todos, um homem consegue, depois de mais ou menos quarenta anos de vida, aprender a ficar calado.”

Por Dirce Becker Delwing, jornalista, psicóloga e psicanalista clínica

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui