“Não é momento de botar fogo no parquinho”, diz presidente da Amvat sobre concessão das rodovias

Governo do Estado deu algumas devolutivas para o Vale do Taquari. Sandro Herrmann entende que o prazo está se esgotando e é preciso uma definição regional sobre o plano


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Prefeito de Colinas e presidente da Amvat, Sandro Herrmann (Foto: Gabriela Hautrive)

O Vale do Taquari recebeu algumas devolutivas no que diz respeito ao projeto de concessão das rodovias em reunião realizada na última quarta-feira (9) em Porto Alegre com o Governo do Estado. As estradas que terão as suas administrações repassadas à iniciativa privada serão divididas em três blocos. Um desses lotes, o bloco 2, contempla rodovias que cruzam o Vale do Taquari, sendo o bloco recebeu o maior número de alterações, envolvendo trevos, vias laterais, passarelas e ciclovias. São as rodovias: RSC-453; ERS-130; ERS-129 e ERS-128. No total são 414 quilômetros nesse lote, que inclui ainda a ERS-324 e a ERS-135, no norte do Estado.


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Um dos principais impasses é a mudança de pedágio no município de Encantado, que atualmente divide a comunidade de Palmas, além de um novo pedido de melhorias na ligação entre o município e Arvorezinha. Enquanto a região não chega a um acordo, o prazo para finalização do plano vai prolongando. O presidente da Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat) e prefeito de Colinas, Sandro Herrmann, defende a união regional a respeito do tema. “Não é momento de botar fogo no parquinho é momento de juntarmos entidades, Amvat, municípios, prefeitos para buscarmos um entendimento e amenizarmos essas diferenças e contentarmos o maior número de entidades, prefeituras e empresas do nosso Vale do Taquari”, relata.

Herrmann entende que houve um grande período de debate e indicações, com melhorias sugeridas por todas as entidades e municípios lindeiros, sendo que a maioria das sugestões foram acatadas e incluídas nesse novo projeto. “A maioria que foi rejeitada a condição técnica orientava de que não houvesse essa alterações, mas a apresentação foi feita pela Governo do Estado aos municípios em uma primeira etapa, participaram Estrela, Teutônia, Lajeado, Venâncio Aires, Cruzeiro do Sul, Arroio do Meio e Encantado.” Agora haverá uma próxima etapa para participação de municípios acima de Encantado, segundo o presidente. “Existem ainda algumas diferenças que ainda há tempo de encaminhar junto ao Governo do Estado para que repassem à empresa que está fazendo o projeto”, explica.

O prefeito ainda informou que foi pego de surpresa em relação a inclusão de mais uma rodovia que liga Encantado a Arvorezinha dentro do projeto. “A gente torce para que consiga se adequar esse projeto na concessão e o trecho possa fazer parte, mas os prazos já estão encurtando porque o desejo do Governo do Estado é para que essa concessão saia no mais tardar em abril”, pondera.

Pedágio da EGR localizado em Encantado (Foto: EGR / Divulgação)

Herrmann acrescenta que irá trabalhar junto com os prefeitos da região porque o Vale do Taquari precisa com urgência dessas obras. “Não temos mais como suportar esses gargalos nas nossas rodovias estaduais porque a nossa 386 já está mostrando que a concessão para empresas privadas está se mostrando muito mais eficiente do que com a EGR.”

Outro ponto debatido foi o valor do pedágio, que devido a solicitações de melhorias e acréscimos em alguns pontos do projeto, fará com que a tarifa máxima chegue a aproximadamente R$ 10. Sandro Herrmann entende que quando mais solicitações e mais investimentos os trechos terão, maior será o valor a ser pago, assim como destaca que a tarifa máxima não significa que será o preço final e sim o valor maior que dentro do projeto pode ser cobrado.

Relembre outras tratativas

Desde que foi anunciado pelo Governo do Estado, plano de concessão das rodovias não tem agradado autoridades e lideranças do Vale do Taquari. Em junho do ano passado, o presidente da Câmara de Indústria e Comércio do Vale do Taquari (CIC-VT), Ivandro Rosa, se disse favorável ao conceito de concessão de rodovias à iniciativa privada, como o governo gaúcho anunciou, mas na visão dele, o Estado não atendia as necessidades em matéria de infraestrutura rodoviária e não é sua função cobrar pedágio.

Em entrevista ao Programa Redação no Ar, o engenheiro pediu detalhes do projeto para que a região possa entender melhor o planejamento estipulado pelo Piratini e sugerir melhorias em questões de prioridades e cronograma de obras. O presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), Luciano Moresco, também se manifestou em diferentes oportunidades e pediu alterações no cronograma de obras previsto para estradas do Vale que devem ser concedidas. Da mesma forma, diversas reuniões e audiências públicas estão sendo realizadas desde então entre comunidade, prefeito, empresários e lideranças para se chegar a um modelo viável para todos.

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

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