“Não é só um prato de comida, representa a esperança”, diz chefe que ajudou nas enchentes no Vale do Taquari

Atualmente, são produzidas marmitas para abrigos de Estrela com ajuda da prefeitura, mas por muito tempo, o trabalho foi feito de forma totalmente voluntária, desde a enchente de setembro do ano passado


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Chefe de cozinha, Mark Thompson (Foto: Divulgação)

“Não é só um prato de comida, representa a esperança.” Essa é a resposta do chefe de cozinha Mark Thompson, ao ser questionado sobre o que representa para ele alimentar pessoas em momentos de calamidade, como foram as enchentes que atingiram o Vale do Taquari, em setembro do ano passado e em maio deste ano.

Conforme ele, um alimento quente e bem feito entrega mais do que só o básico que é a alimentação. “Ela te dá forças continuar lutando e continuar seguindo no meio desse caos, dessa tragédia, que é algo bem complicado. Tu dormir com uma barriga vazia e no meio dessas condições, então tu ganha esperança, ganha forças para lutar no próximo dia e pensar no próximo dia com a barriga cheia”, relata.

A história do chefe passa por diversos capítulos. Ele foi quem teve a primeira iniciativa para criar a cozinha solidária, em Lajeado, em 2023. O processo passou por diferentes locais e, depois, mudou de coordenação. Atualmente, uma equipe diferente, coordenada por Mark, trabalha no Ginásio do Bairro Montanha, em Lajeado, fazendo marmitas para abrigos de Estrela, com auxílio da prefeitura.

Atualmente, cozinha funciona no Ginásio do Bairro Montanha, em Lajeado (Foto: Gabriela Hautrive)

“A cozinha surgiu com a ideia de fornecer alimentação e insumos básicos para todas as pessoas que foram atingidas pela enchente. No início, a ideia começou com o pensamento de fornecer o mais rápido possível alimentos, com a ajuda de um amigo meu, chamado Bruno Salvatori. A gente montou uma cozinha improvisada para mandar marmitas para Muçum, que foi um dos lugares mais atingidos na época. Começamos a produção com 300 marmitas diárias”, conta.

No decorrer do tempo, com aumento da produção, por conta da necessidade, a operação passou a funcionar no Rulles Gastrobar, no Bairro São Bento, em Lajeado. “Se tornou praticamente um empreendimento, com mais de 100 pessoas voluntárias dispostas a nos ajudar, e a produção de 300 marmitas diárias, que só aumentava”, destaca. Depois disso, o processo foi para a cozinha industrial da dos cursos de gastronomia da Univates, e a partir disso, com nova coordenação.

Produção das marmitas é feita diariamente com cardápios variados (Foto: Gabriela Hautrive)

Trabalho feito na enchente de maio

Passada a experiência da enchente anterior, Mark Thompson, acompanhando a situação do que estava acontecendo em maio deste ano, com um cenário mais grave, resolveu agir novamente. Sozinho, procurou a Prefeitura de Estrela, cidade onde reside, e pediu um espaço para montar a produção de marmitas, totalmente do zero. Nesse processo, recebeu ajuda do Canto do Churrasquinho Bistrô, local onde atua como chefe de cozinha.

“O foco inicial de qualquer desastre é alimentar as pessoas e cuidar dos insumos básicos dela, que é a alimentação e a água. Então a gente precisava de um local, porque Estrela foi muito atingida, eu acho, foi nos locais mais atingidos, então a gente precisava de um local. E aí que a prefeitura entrou, cedeu a nossa primeira sede, que foi na Aspume, no Bairro Pinheiros”. Nesse espaço, com a ajuda de voluntários, cerca de 300 marmitas eram produzidas diariamente, com custeio de um grupo de Santa Catarina, que manteve o serviço pelo período de um mês.

Depois disso, o chefe resolveu assumir um abrigo do município. Além da alimentação, os voluntários passaram a se envolver em muitas outras causas, como procura por auxílio médico aos afetados, festas de aniversário para as crianças e outras diferentes ajudas para quem precisava. Thompson chegou a dormir por alguns dias no abrigo, pois sua casa ficou ilhada durante a enchente.

Cenário atual e produção de 500 marmitas diárias

Atualmente, o cenário é diferente. O chefe e sua equipe estão atuando no Ginásio do Bairro Montanha, em Lajeado, mas produzindo alimento para quem está nos abrigos no município vizinho, em Estrela.

Todos os dias, cerca de 500 marmitas são levadas para as pessoas. O trabalho deve ser mantido pelos próximos 12 meses, com auxílio da Prefeitura de Estrela.

Texto: Gabriela Hautrive
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