Não hesite em buscar ajuda quando a dor psíquica está atormentando seu cotidiano

Muitas vezes, não conseguimos sair sozinhos de um quadro depressivo, de um sofrimento psíquico.


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Foto: Ilustrativa

Como setembro é o mês de prevenção ao suicídio, vejo benefícios em compartilhar o que vivi na infância. Acontece que, quando me dei por conta que era gente, comecei a perceber que, em discussões mais acirradas dos meus pais, vez por outra, acabava saindo uma expressão que terminava com o embate dos dois.


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A fala remetia à ideia de que um deles iria amarrar uma corda no pescoço e se pendurar numa árvore. Ameaças que, tantas vezes, os casais fazem da boca pra fora para fazer drama, ou com a intenção de assustar a outra pessoa, ou, quem sabe, para desviar o foco do assunto abordado. Quantas mães não dizem, sem qualquer pretensão real, algo como:

– Um dia vou sumir e vocês vão ter que se virar.

– Juro por Deus, eu vou embora dessa casa.

Acontece que as crianças podem não entender que os adultos, na verdade, querem dizer que estão cansados, ou enjoados de ter que repetir sempre as mesmas recomendações. Os pequenos podem ter grandes sofrimentos diante de tais falas. Ou, pior ainda, como aconteceu comigo, que, com meus cinco anos de idade, decidi colocar em prática a expressão que eu ouvia atrás da porta. Intrigada com o que poderia ocorrer, fiz o experimento com um filhote de passarinho. Triste e duro de lembrar, mas a fatalidade poderia ter sido bem pior. Anos de terapia me ajudaram a ver que eu era muito mais vítima do contexto do que responsável pela morte precoce do frágil filhote pássaro. Em síntese, o que quero dizer é que você não deve usar falas desse teor de forma metafórica quando quer dizer outra coisa.

Agora, se você tem um sofrimento no seu coração, se você está muito triste, se você tem pensamentos suicidas, se você não encontra mais motivação para viver, fale imediatamente com as pessoas próximas a você. Busque ajuda. Busque tratamento. Muitas vezes, não conseguimos sair sozinhos de um quadro depressivo, de um sofrimento psíquico.

Setembro é o mês de prevenção ao suicídio. Quem pensa em suicídio não quer acabar com a vida. Quer, na verdade, encerrar um sofrimento. É muito importante que a pessoa fale sobre sua dor, sobre seus sentimentos para que possa ser ajudada. A vida é um presente. Acredite, toda dor, quando recebe colo, começa a passar, ainda que lentamente, e a vida vai retomando seu brilho de esperança.

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