No último posto da BM, novo comandante do Vale podia estar aposentado, mas escolheu trabalhar na região

Coronel Wagner, que participou do reality “No Limite” da Globo, afirma que a região é segura pela atuação da polícia e por sua comunidade. Para ele, câmeras no uniforme trarão maior lisura


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Coronel Gilson Wagner de Oliveira Alves, comandante do CRPO-VT (Foto: Tiago Silva)

Há 32 anos na Brigada Militar, o coronel Gilson Wagner de Oliveira Alves chegou ao último posto da corporação. Por sua idade e tempo de serviço, ele poderia estar aposentado há dois anos. Mas optou por permanecer na polícia até pelo menos quando completar 35 anos dentro, período em que ocorre a aposentadoria compulsória automática. “Não tem lógica eu chegar ao último posto da corporação e ir embora. Eu quero exercer”, afirma ele em entrevista ao Troca de Ideias desta terça-feira (5).

Com as recentes mudanças internas, o Comando-Geral da BM ofereceu-lhe a opção de escolher para qual região iria, e oficial escolheu, há um mês, vir para o Vale do Taquari e liderar o Comando Regional de Polícia Ostensiva (CRPO). Em conversa com a Rádio Independente, o militar falou de suas primeiras impressões e dos objetivos à frente dos brigadianos da região.

O coronel Wagner é natural de Porto Alegre. Filho de policial, ele estudou no Colégio Tiradentes e entrou como oficial na BM em 1990. Em sua carreira, também foi bombeiro, quando as duas corporações eram ligadas. Fez missões de segurança em Moçambique, na África, e foi assessor de segurança institucional do Comando-Geral da BM e do defensor público do RS, além de atuar na assessoria do Tribunal de Justiça Militar do RS. Antes de vir para o Vale do Taquari, o oficial estava há três anos no comando da Brigada Militar em Gramado.

Para o novo comandante, a região é parecida com Gramado, exceto a economia (lá, o destaque é o turismo e aqui, a indústria é forte). Na visão do coronel, o Vale do Taquari “é uma região muito segura”. “Existem alguns fatos que acontecem e fazem parte da vida da sociedade, mas, no geral, a população do Vale do Taquari vive numa região segura e controlada. Por quê? Por dois fatores clássicos: o primeiro é a sociedade, e o segundo é o trabalho atento da polícia”, afirma. “A região é controlada por uma polícia atuante e pela sociedade muito preocupada”, observa.

Nos últimos anos, o cargo de comandante do CRPO-VT tem tido alta rotatividade. Frente a este fato, o coronel Wagner afirma que quer ficar por mais tempo e desenvolver um trabalho relevante no Vale. “Eu tinha algumas regiões do Estado para escolher e escolhi o Vale do Taquari. Eu vim para trabalhar, eu vim para ficar no Vale do Taquari”, afirma ele. Porém, o militar reconhece que ordens que vêm do Comando-Geral podem modificar seus planos.

Conforme o chefe da Brigada, a corporação trabalha em cima de estatísticas, com um método baseado no georreferenciamento do crime. Dessa forma, o policiamento consegue concentrar melhor seus esforços em ações efetivas. No Vale do Taquari são cerca de 400 policiais no efetivo. “As facções são uma doença social que a gente tem que enfrentar”, afirma, sobre os desafios.

Militar fala de suas primeiras impressões e dos objetivos à frente dos brigadianos da região (Foto: Tiago Silva)

Uso de câmeras nos uniformes

O comandante disse que está na agenda da Brigada Militar a utilização de câmeras nos uniformes dos policiais. Elas devem ser distribuídas pelo comando da corporação, porém, ainda sem prazo determinado. “Esperamos a chegada desses equipamentos”, adianta o oficial, para quem as câmeras vão garantir maior lisura e transparência às abordagens.

Militares indiciados por agressão

O oficial foi questionado sobre um episódio ocorrido em fevereiro, em Anta Gorda, quando dois policiais agrediram um homem na rua após uma discussão. Populares gravam a cena, e o CRPO-VT indiciou dois dos quatro policiais por lesão corporal. “Houve excesso na ação dos policiais”, que “vão responder na Justiça por um erro que eles cometeram na ação”, reconhece o chefe.

De acordo com o comandante, o inquérito foi remetido ao Ministério Público Militar, que analisará as informações, incluindo os vídeos de moradores, e poderá oferecer denúncia à Justiça Militar em Porto Alegre. Os envolvidos chegaram a ser afastados da polícia, mas retornaram depois. Porém, um deles não serve mais em Anta Gorda. “Eles cometeram um abuso, mas não são criminosos”, pondera, sobre a necessidade de uma punição adequada, dentro do ordenamento jurídico.

“No Limite”

Fora dos quartéis, Gilson Wagner também participou da quarta temporada do programa “No Limite”, da Rede Globo, em 2009. Na época ele estava no Corpo de Bombeiros Militar do RS, e ficou entre os cinco finalistas do reality show. “Foi uma experiência totalmente diferente”, admite. “Reality show no Brasil é uma cachaça que todo mundo gosta”, o coronel brinca.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

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