“Nos mantivemos mais racionais”, diz médico-legista sobre trabalho realizado no DML de Lajeado durante enchentes de maio

Atuando há 28 anos na área, Bruno Lieske considera que o período foi um dos mais complicados de sua carreira


0
Bruno Lieske (Foto: Eduarda Lima)

A racionalidade foi um dos fatores essenciais para os trabalhos do Posto Regional do Departamento Médico de Lajeado (DML) durante as enchentes de maio. O órgão atende 38 municípios no total e realiza a identificação das vítimas da catástrofe.

“Nós focamos em realizar a nossa perícia, a gente não foi muito pra questão emocional, nos mantivemos mais racionais”, afirma Bruno Lieske, médico-legista e responsável pelo DML. Ele atua há 28 anos na área e considera o episódio um dos mais complicados de sua carreira.

De acordo com Lieske, a cheia de setembro de 2023 serviu para preparar a equipe, que preza pela imparcialidade, foco e agilidade na realização dos exames. Atualmente são sete funcionários que trabalham no local, mas durante as enchentes o órgão recebeu apoio de datiloscopistas e médicos vindos de Santa Catarina e outras regiões do Rio Grande do Sul.

Ainda sobre o serviço prestado nesse período, Lieske relata que a rede de apoio psicossocial foi essencial no acolhimento às famílias que buscavam o DML para registrar desaparecidos. “A gente não tem esse preparo para lidar com o pessoal, que é uma coisa importante”, pontua. As psicólogas voluntárias recebiam a população, preenchiam fichas com dados físicos e encaminhavam aos legistas, para facilitar a identificação.

O DML já confirmou o nome de 47 pessoas do Vale do Taquari que morreram em decorrência da tragédia ambiental deste ano. Mais três corpos de prováveis vítimas aguardam o resultado do exame de DNA no Departamento. Caso sejam confirmadas, serão 50 óbitos causados pelo desastre natural. Por enquanto, ainda são contabilizadas 18 pessoas desaparecidas.

Texto: Eduarda Lima
[email protected]

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui