“Nós vemos algumas coisas que aconteceram em dezembro e fevereiro se repetindo”, diz delegado de Lajeado

Moreno falou sobre as investigações dos quatro casos de homicídio registrados no mês de junho


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Titular da Delegacia de Polícia de Lajeado, Márcio Moreno (Foto: Gabriela Hautrive / Arquivo)

Depois de registrar um homicídio num período de 90 dias, Lajeado teve quatro casos no último mês. Os crimes aconteceram nos dias 11, 22, 23 e 29 de junho. Em entrevista ao programa Operação Conjunta, o delegado Márcio Moreno, titular da Delegacia de Polícia do município, falou sobre as investigações e garantiu que eles não possuem relação.

Segundo Moreno, um deles envolve um crime de natureza passional e, inclusive, já está com as investigações bem avançadas no que diz respeito a apuração. Nos outros três, a principal linha de investigação trabalha com casos relacionados ao crime organizado. “Até pelo modus operandi, pelo meio de execução e pelas colheitas iniciais”, relata.

Conforme o delegado, ainda não é possível falar sobre a autoria e a motivação dos crimes, no entanto, não é descartada a possibilidade do envolvimento de pessoas que já estejam recolhidas ao sistema prisional. “Quando trabalhamos com investigação de crime organizado, nunca descartamos a questão prisional. É público e notório que a grande concentração de ordens, no Brasil inteiro, neste tipo de crime, vem do presídio”, afirma.

O país, de acordo com Moreno, tem uma peculiaridade quando se fala em crime organizado. Ele lembra que as 15 organizações criminosas mais preocupantes no país nasceram no interior de presídios. “Infelizmente, a gente sabe que boa parte do acesso à hierarquia, de pessoa que estão custodiadas pelo estado, não impede elas de manter um contato com o pessoal que está fora. Então sempre se trabalha com essa premissa”, garante o delegado.

Corpo queimado no porta-malas de automóvel

Sobre o caso mais recente registrado em Lajeado, do corpo encontrado queimado no interior de um automóvel, Moreno falou que já foram realizados exames e a coleta de material genético com possíveis parentes. “Nós trabalhamos com duas hipóteses de identificação, então agora estamos no aguardo da conclusão da perícia. Já foi solicitada, inclusive, a urgência, porque se trata de um homicídio. A identificação da vítima deve ser concluída até na próxima terça-feira (7)”, pontua.

Foto: Polícia Civil / Arquivo

Para o delegado, o próprio modus operandi demonstra se trata de um homicídio praticado dentro da logística do crime organizado. Entre os principais fatores, ele cita o fato de ser utilizado um carro clonado, com placas não correspondentes a sua identificação, a quantidade de disparos de arma de fogo efetuados e os sinais de tortura. “Ainda é preciso da conclusão pericial pra dizer qual a causa da morte, mas a indícios de tortura, de que houve alguns outros cortes realizados por instrumento contundente”, alertou.

Conjuntura essa que, de acordo com Moreno, vai ao encontro de algumas execuções que aconteceram em 2019 e 2018 e estavam vinculadas ao crime organizado. Para ele, o modus operandi deixa claro se tratar de um ajuste de contas. “Até porque, geralmente o homicídio passional não tem todo esse preparo e essa logística de utilizar um carro clonado, fazer diversos disparos, incinerar o veículo. Isso tem todo um gasto de execução. Nós vemos algumas coisas que aconteceram em dezembro e fevereiro se repetindo e devemos agir de forma enérgica com relação a esta hierarquia, ou seja, não se adentrar apenas aos executores, mas também aos mandantes e a mentoria intelectual”, lembra Moreno.

Redução dos crimes contra a vida no primeiro semestre de 2020

Mesmo com os quatro casos de junho, Moreno reforça que Lajeado apresenta índices reduzidos, em comparação com os primeiros seis meses de 2019. Conforme o delegado, foram instaurados 21 inquéritos policiais de homicídio doloso contra a vida nos primeiros seis meses. No mesmo período, a Delegacia de Lajeado, remeteu 24 inquéritos ao poder judiciário, sendo alguns de crimes ocorridos em 2019 e 2018. “Tivemos 46 inquéritos em 2019, 43 em 2018 e 45 em 2017. Então estamos dentro de um parâmetro. Claro que o dado seria muito melhor se a gente não tivesse essa quantidade de casos em junho”, diz.

Jordan Heuser tinha 15 anos e era morador do Bairro Planalto (Foto: Arquivo pessoal / reprodução)

Ele também falou sobre a conclusão das investigações e disse que a Delegacia de Lajeado, no primeiro semestre de 2020, chegou a uma taxa 94% elucidação. Neste ano, já foram realizadas oito prisões vinculadas a homicídios. Entre os casos próximos de ser concluído, está o do garoto Jordan Henrique Heuser (15), que foi encontrado morto depois de ser sequestrado no Bairro Planalto. “Eu pretendia concluir este inquérito até abril, mas atrasou um pouco pois algumas coisas ainda precisavam ser feitas e a pandemia nos dificultou muito em algumas diligências. Mas me comprometo que, em breve, vou esclarecer este caso para a comunidade”, conclui.

Texto: Artur Dullius
am950@independente.com.br

 

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