Nossas manifestações públicas sobre causas sociais devem ter fundamentos consistentes

Confira o comentário da jornalista, psicóloga e psicanalista clínica Dirce Becker Delwing.


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Foto: Pixabay

Eu estava sentada na sala com o meu esposo quando ele disse: – Eu levo uma vida selvagem. Na hora fiz cara de estranheza porque não tinha nada a ver com o contexto. Ele explicou: – Sim, mas é a frase que está na tua camiseta. E prosseguiu dizendo que eu, que sempre fora tão precavida, desta vez, estava ostentando uma frase que, se soubesse o significado, talvez ficaria um tanto sem graça. Na verdade, eu vestia uma camiseta bem velhinha da minha guria. Tenho o costume de, em casa, usar roupas que vêm ao meu encontro quando entro pela porta, aquelas vestes que têm o formato do nosso corpo, que já parecem pele. Por conta disso, nem me preocupei com a frase que ostentava no peito. Mas, serviu para uma boa reflexão.

Num tempo em que todo mundo dá opinião sobre tudo, corremos o risco de entrar em ações, ou movimentos, sem sabermos, ao certo, a essência que está naquela atividade ou reivindicação que seja. Assim, nos assemelhamos às pessoas que usam camisetas com frases em outro idioma sem ter consciência da tradução. Corremos o risco de ostentar dizeres constrangedores, ridículos, ou até mesmo que não condizem com as nossas crenças. Acerca de camisetas com escritas em língua estrangeira, sempre confira a tradução para não pagar mico. O conselho vale para mim também.


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Quando for participar de um movimento social, de uma manifestação pública, tenha clareza acerca do objetivo do ato para ver se você realmente compactua com o que está sendo dito, se tem a ver com sua motivação moral e reivindicação social. Isso vale também para discussões nas redes sociais. Tem gente que só lê o título da matéria e sai fazendo comentários. Basta uma pessoa fazer isso e vira um efeito manada. Na formação dos nossos filhos, devemos sempre incentivá-los para que manifestem suas opiniões, que saibam ser críticos, mas que suas análises tenham argumentos que façam sentido.

Não vá na onda. Tem diferença em ir de encontro aos seus anseios ou ir ao encontro. Aliás, vale pensar sobre o uso correto dessas expressões. Se você quer dizer que algo é contrário àquilo que você pensa, então, deve dizer que isso vai de encontro. Agora, sempre quando você está diante de uma situação que aprova, então, a mesma vai ao encontro das suas crenças.

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