O amor saudável é alegre e prazeroso e requer um individualismo responsável

Confira o comentário da jornalista, psicóloga e psicanalista clínica Dirce Becker Delwing.


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Foto: Pixabay

“Quem ama cuida protege, perdoa. Quem ama, sonha e se doa. Quem ama vira criança e só quer sonhar. Quem ama sofre, consente, insiste. Mas, quando não é amado, chora, se afasta e desiste”. Esse é um trecho da canção intitulada “Quem ama desiste”, de autoria de Claudir Degasperi, lançada recentemente. Quando ouvi, fiquei pensando sobre o sentido da letra. Sim, por vezes, é preciso desistir de um amor, de um projeto, de um caminho, de uma compra. Falando de relacionamentos amorosos, o fato é que muitas pessoas têm grande dificuldade para encerrar uma relação, mesmo quando ela já está fazendo mais mal do que bem. Talvez porque a pessoa ficou, de certa forma, dependente do outro, ou porque o outro a deixou tão vulnerável e frágil que ela não consegue mais enxergar uma outra possibilidade de vida. Apesar de o outro lhe fazer mal, ela tem a crença de que ele é o único no mundo que ainda poderá salvá-la. Veja o quanto tudo isso é delicado.


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No livro intitulado Amar ou depender?, o psicólogo Walter Riso mostra os principais problemas atrelados ao apego excessivo. Ele diz que sofremos muito por amor porque colocamos esse sentimento num pedestal, decidimos que ele é todo-poderoso, que vai durar para sempre, que será a principal fonte de realização. Segundo o autor, muitas pessoas sofrem por amor porque escolhem mal seu parceiro, são dependentes, temem a solidão, temem ser enganadas, temem a separação porque se sentem frágeis. Nesse sentido, o filósofo Aristóteles afirmava que amar é estar feliz. O amor saudável é alegre e prazeroso e requer um individualismo responsável. O apego não pode ser elevado ao ponto de o outro ser um obstáculo para que eu faça coisas de que eu gosto.

Importante pensar que nas nossas relações conjugais, em alguma medida, revivemos afetos que experimentamos na infância, especialmente nos primeiros anos de vida, no convívio que tivemos com nossos pais ou com aqueles que cuidaram de nós. É nesse período da vida que constituímos grande parte do nosso reservatório interior de segurança, coragem e reconhecimento e, até mesmo, de autoestima para lidarmos com as relações que iremos estabelecer ao longo da vida. Por isso é tão importante que as crianças vivam num ambiente saudável. Como escreve Claudir Degasperi, “Quem ama vira criança e só quer sonhar”. Ou seja, é na infância que o ser humano potencializa em si a capacidade de fazer bons planos para sua vida, inclusive no amor.

Ouça a música

INÉDITA 🌟 Lançamento de uma música que compus no começo de julho. ✨ Sobre o tema da canção eu pergunto pra você: – Quem não passou por isto na vida? 🙂😉

Publicado por Claudir Degasperi em Sexta-feira, 21 de agosto de 2020

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