O ano mais diferente de nossas vidas

"Creio que a vacinação vem em boa hora e deve ficar a critério de cada um e sem sanções (punições) àqueles que pensem de modo diverso."


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Foto: Divulgação

Dizer que 2020 é, ainda, um ano diferente é qualificar de modo brando; vale para não impactar tanto a chamada. Certamente um ano muito louco, anormal, atípico, perigoso. Não há quem não tenha, de alguma maneira, sentido os efeitos dessa jornada de 2020. Logo em março a onda Covid-19 veio forte, o pós-carnaval mostrava sua face, a Europa contabilizava horrores. A sequência até agora todos sabemos. Também sabemos que a troca de ano, ou dígito, não fará mudar nada do que vivemos agora; cuidados, restrições, vacina, convalescênças, perdas, continuarão como rotinas. Mas essa é uma parte de nossas vidas, pois o verão no hemisfério sul nos traz períodos de calor, verão, muita circulação, contatos, aglomerações e, portanto, quebras de posturas ou condutas que evitam maior circulação do vírus.


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Embora governos estaduais já afirmem que não promoverão festejos carnavalescos, a situação de aglomerações, notadamente nas cidades litorâneas e balneários, seguramente não terá como ser contida. Pesquisas apontam que muita gente já deixou de alterar seu modo de vida e vive como antes da pandemia. O Estado brasileiro parece um trem bala desgovernado em políticas públicas de saúde. Se não tem vacina o barulho é grande, com vacina(s) o barulho é maior ainda, pois a moda e a loucura ataca o mensageiro, na discussão da obrigatoriedade administrativa das pessoas buscarem vacinação.

Mas, por essa República, parece que tudo tem que ficar pior: trazer a questão da obrigatoriedade de vacinação, ou não, ao sistema de Justiça e o STF não perde a oportunidade para, principiologicamente, por ações aforadas pelos partidos PDT e PTB, a vacinação forçada é inconstitucional, mas poderão os entes estatais limitarem direitos, o que significa, em outra face, a vacinação compulsória de modo indireto. Fala-se na expressão sanções àqueles que não se submeterem ao processo de vacinação e, no Brasil, lá vamos nós, como de regra, transformando-nos cada vez mais num mais onde impera a vontade estatal e, pior ainda, nesse caso a decisão do STF. Manifestamente, um país que não tem um processo de comunicação, de diálogo democrático e que tem, de regra, entregue ao STF decisões sensíveis do futuro da nação. Lembro que na mesma semana, até para tributação de armas de fogo, decide o STF o rumo do país, hoje armamentista.

Por fim, estamos nessa caminhada de pedras, espinhos e nebulosa. Creio que a vacinação vem em boa hora e deve ficar a critério de cada um e sem sanções (punições) àqueles que pensem de modo diverso; que tenhamos menos judicialização e mais governo – Legislativo e Executivo – que tão caro nos custa em consumo de tributos e estrutura; que tenhamos regras claras, que o debate seja nos fóruns técnicos e no ambientes onde se planejem políticas públicas à nação e aos estados membros.

Carlos Augusto Fiorioli, promotor de Justiça do Ministério Público em Lajeado

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