O bom líder deve ser amado ou temido?

O líder deve ser amado pela sua forma de conduzir o time e também temido por aqueles que produzem baixos resultados


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Gustavo Bozetti, diretor da Fundação Napoleon Hill e MasterMind RS, no quadro Direto ao Ponto (Foto: Tiago Silva)

Todos nós conhecemos líderes que se caracterizam por um destes dois aspectos. Ou são muito amados, ou são excessivamente temidos. Certa vez prestei consultoria para uma grande empresa que buscava melhorar seus resultados. Nos primeiros momentos percebi que havia um líder que se destacava, porém seus resultados eram obtidos a qualquer custo.

Os resultados estavam sendo produzidos por uma equipe instável, nervosa, e não raramente alguns colaboradores eram afastados por estarem sofrendo com alguns traumas, reflexo da postura excessivamente intimidadora do seu líder. Algumas pessoas precisavam de medicação para controlar seu nível de estresse, já que a tensão pairava no ar. As consequências disso tudo foram que, em um determinado momento, os resultados deixaram de acontecer e o líder que era temido por todos teve que ser desligado após trocar pela segunda vez todas as pessoas da sua equipe.

Em outro caso, havia um líder muito querido, amado por todos, e que também conseguia prover bons resultados. As pessoas adoravam trabalhar naquele setor, porém chegou um determinado momento que o líder amado não conseguia mais impor respeito aos seus liderados, reflexo de alguns liderados mal intencionados que faziam as coisas conforme seus próprios interesses. Este líder também foi desligado pois os resultados estavam sendo prejudicados pela sua baixa capacidade de condução.

O bom líder deve ser amado e temido na dose certa. Amado pelas pessoas comprometidas que buscam melhorar resultados e que estejam engajadas em suas ações. Deve, também, ser temido por aqueles que se julgam acima das normas e que acreditam estar em situação confortável, prejudicando outros colegas e os resultados da organização. O bom líder deve ser amado pelos bem intencionados e temido pelos mal intencionados. Quando as pessoas estão inseridas em um ambiente onde não há temor, existe uma dificuldade de implementação das melhores práticas de gestão.

Por outro lado, quando não existe admiração pelo líder, a mesma dificuldade persiste. Um bom exemplo pode ser uma comparação entre empresas. Há aquelas nas quais as pessoas não podem fazer nada, nem mesmo pegar seu filho na escola em caso de doença. Há, também, aquelas empresas em que qualquer coisa é tolerável, inclusive passar a tarde em casa com o filho que está com sintomas gripais.

Mas como chegar ao ponto ideal? É impossível formar uma equipe de alta performance sem que o líder seja amado e temido. O líder deve ser amado pela sua forma de conduzir o time e também temido por aqueles que produzem baixos resultados. Jack Welch, o executivo do século XX, dividia seus colaboradores em 3 categorias: os 20% acima da média, os 70% que estão na média e os 10% que estão abaixo da média.

Os primeiros 20% são reconhecidos pela sua alta performance. Os 70% intermediários são mantidos e recebem condições para que possam evoluir. Já os últimos 10% são substituídos, trocados e demitidos. Todos os colabores devem amar estar entre os melhores e devem temer estar entre os piores. Este mesmo modelo foi utilizado pelo trio Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles na construção de suas empresas, entre elas as Lojas Americanas e a Ambev (AB InBev).

Para implementar isso, é fundamental um modelo de gestão com indicadores-chave de desempenho. E no mundo corporativo, absolutamente tudo pode ser medido. Basta que tenhamos criatividade para isso. Você, líder, é amado e/ou temido? Você, liderado, ama ou odeia o seu líder? Responda para nós? Forte abraço e até a vitória, sempre.

Texto por Gustavo Bozetti (@gustavobozetti), diretor da Fundação Napoleon Hill e MasterMind RS

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