O desafio de ser portador de gagueira em um cargo de liderança

O diretor do Hospital São Gabriel Arcanjo, de Cruzeiro do Sul, Ramon Zuchetti, fala sobre como conseguiu superar e conviver com o Transtorno de Fluência. "Controlar o nervosismo é um grande desafio."


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Ramon Zuchetti (Foto: Rodrigo Gallas)

O diretor do Hospital São Gabriel Arcanjo, de Cruzeiro do Sul, Ramon Zuchetti, foi o entrevistado do quadro “Sem Preconceito” desta sexta-feira (30). Ele falou sobre o desafio de ser portador de disfemia — um Transtorno de Fluência que prejudica a fala, conhecido popularmente como gagueira. Ocupando cargos de liderança, funções que precisa se expressar diariamente, teve que estudar e treinar a sua dicção. Além de diretor do hospital, Zuchetti foi titular da 16ª Coordenadoria Regional da Saúde (CRS) por quase quatro anos.


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Ele conta que não sofreu preconceito, mas foi ‘vítima’ de brincadeiras. “Eu levo na esportiva sempre. Até porque se tu ficar brabo e chateado, pior fica. Mais eles pegam no teu pé.” “Não é fácil. Tem pessoas que são infinitamente mais gagas do que eu. Não conseguem falar seis, sete palavras inteiras. Eu tenho sim, mas consigo me expressar.”

Zucketti explica que devido à sua função, treina em casa a fala. Desta forma, conseguiu superar em grande parte a gagueira utilizando técnicas. Com o passar dos anos, foi aperfeiçoado a sua fala. Os treinos vem de longa data. Desde que frequentava a escola e tinha que ler algo para a turma, até a participação de grandes eventos com mais de mil pessoas em sua carreira profissional. “Controlar o nervosismo é um grande desafio.”

Ele conta que frequentou uma fonoaudióloga. Uma das técnicas simples passadas por ela é a de se manter hidratado. Outra, é a de gravar a sua fala e ouvir posteriormente para corrigir os erros. Além disso, ao longo dos anos, leu bastante sobre o Transtorno de Fluência. “Ninguém sabe de onde vem a gagueira”, explica contando que há várias teorias sobre o surgimento do transtorno nas pessoas, como um susto na infância ou até a forma de brincar.

Este transtornos de comunicação não tem uma cura, um remédio ou uma técnica específica para tratá-lo, explica.

A disfemia

A gagueira, o Transtorno de Fluência mais comum, é uma descontinuidade no fluxo de fala caracterizada por repetições (sons, sílabas, palavras, frases), prolongamentos de som, blocos, interjeições e revisões, o que pode afetar a velocidade e o ritmo da fala. Essas disfluências podem ser acompanhadas por tensão física, reações negativas, comportamentos secundários e evitação de sons, palavras ou situações de fala.

Texto: Rodrigo Gallas
web@independente.com.br

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