O discurso do outro ganha importante sentido quando salva a nossa esperança

Confira o comentário da jornalista, psicóloga e psicanalista clínica Dirce Becker Delwing. 


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Foto: Getty Images

Na edição desta terça-feira, dia 19, eu falava sobre os pais e mães que têm aproveitado a quarentena para estar mais com seus filhos. Comentei que, nesse caso, as pessoas conseguem, inclusive, viver o lado bom do distanciamento social. Mas, eu não lembrei de falar dos pais e mães que estão trabalhando mais do que antes, que tiveram que arranjar um lugar para deixar os filhos, que sentem a pressão na empresa porque vários colegas já foram demitidos. Que precisam se virar para chegar ao serviço, uma vez que o ônibus que pegavam não está circulando.


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Eu não lembrei de falar das pessoas que precisam lavar a máscara todos os dias quando chegam em casa porque só têm uma única peça. Eu pensava naquelas que possuem várias, de cores e estilos diferentes, para combinar com a roupa, ou com a agenda do dia.

Eu não lembrei das pessoas que não podem comprar álcool em gel à vontade no mercado, ou na farmácia. Eu tomei como referência aquelas famílias que podem colocar um recipiente em cada cômodo da casa.

O fato é que são tantas as possibilidades de sofrer diante da pandemia e do distanciamento social. Tantas vezes, a gente olha o outro a partir do contexto ou da situação em que a gente se encontra. A gente se sensibiliza quando se reconhece no outro, quando é capaz de supor o que o outro está sentindo. Quando o depoimento do outro ajudar a salvar a nossa esperança.

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