O luto ganhou lugar de destaque no mercado editorial devido à pandemia

Confira o comentário de Dirce Becker Delwing, jornalista, psicóloga e psicanalista clínica


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Foto: Dirce Becker Delwing

Numa visita à livraria, com facilidade, encontrei três livros que falam sobre o luto. “Tudo bem não estar tudo bem”, de Megan Devine. Ela é escritora e palestrante. Tem mestrado em Psicologia. Em 2009, perdeu seu companheiro de forma trágica. Na obra, ela nos convida a construir a melhor vida possível, uma vida que comporte a dor e a saudade, que não tente negar o vazio deixado pela perda.

Tem uma parte muito interessante onde reflete sobre como ajudar um amigo de luto. Ela diz que há pessoas que, numa situação dessas, têm tanto medo de falar ou fazer a coisa errada que optam por não fazer nada. Uma recomendação é de que a gente não deve tentar amenizar a dor da pessoa enlutada com frases, ou dizeres consoladores, do tipo “Ele está num lugar melhor’. Passe o recado de que você sabe que está doendo e que você quer fazer companhia. Não diga “Me ligue se precisar de algo”, porque a pessoa não vai ligar. (…) Em vez disso, faça ofertas concretas: “Vou passar aí na quinta-feira, às quatro da tarde, para separar seu lixo reciclável” ou “Vou passar aí todos os dias de manhã na ida pro trabalho e dar uma voltinha com o seu cachorro. (p.203)

Outro livro que aborda o tema chama-se “Sobre viver o luto”, Shelby Forsythia. Depois da morte inesperada da sua mãe, em 2013, ela se aprofundou no estudo sobre o tema. A obra reúne pequenos textos, distribuídos por todos os dias do ano (que não precisam ser lidos em sequência). Por exemplo, na data de hoje, 16 de novembro, o texto fala sobre o movimento que a pessoa enlutada pode fazer para sair do fundo do poço. “Qualquer coisa que seja diferente disso é uma melhoria – e existe esperança nessas pequenas conquistas”. (p.194)

O terceiro livro que refiro chama-se “Depois é nunca”, do poeta e escritor Fabrício Carpinejar. Ele foi o patrono da última Feira do Livro de Porto Alegre. “Eu sempre temo a ausência das lágrimas. É a verdade sendo adiada”. (p.29)

Onde você estava quando morreu alguém importante da sua estima? É bem possível lembrar exatamente o que estava fazendo, o que estava vestindo. O momento em que recebemos uma notícia grave nunca é esquecido. (p.22)

Por Dirce Becker Delwing, jornalista, psicóloga e psicanalista clínica

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