“O mais importante é que a sociedade debata o tema”, diz vereador que se recusou a cantar o hino do RS por considerá-lo racista

Matheus Gomes (PSOL) propõe a mudança no hino, mas antes disso quer que o debate sobre o tema seja intensificado em todo estado.


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Matheus Gomes (PSOL) durante a posse na Câmara de Vereadores de Porto Alegre (Foto: Divulgação / Câmara de Vereadores de Porto Alegre)

“O mais importante é que a sociedade debata o tema”, diz o vereador de Porto Alegre Matheus Gomes (PSOL), que se recusou a cantar o hino do Rio Grande do Sul (RS) por considerá-lo racista. O fato ocorreu na cerimônia de posse no primeiro dia de 2021. Ele propõe a mudança no hino, mas antes disso quer que o debate seja intensificado em todo estado. “O mais importante é construir um bom debate para que na Assembleia a discussão seja mais tranquila”, afirma Gomes. Segundo o vereador, já há um manifesto assinado por mais de 600 historiadores pela mudança do hino.


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“Agora, infelizmente, a gente está vendo um setor que está se negando a conversar sobre este tema”, comenta. Para Gomes, o hino precisa ser alterado pelo atual momento vivido, onde em todo o mundo ocorreram manifestações contra o racismo, inclusive com alterações de símbolos importantes.

“A gente precisa fazer o que já foi feito. Em três ocasiões, já foram alteradas estrofes do hino do RS. Achamos que precisa ocorrer mais uma”, comenta. “Não só é possível, como é necessário mudar o hino.”

A manifestação contra o hino 

“A gente trouxe ao ambiente político do RS um protesto que o movimento negro do nosso estado já faz há no mínimo 50 anos. Desde 1971, quando o poeta negro gaúcho Oliveira Silveira iniciou um movimento que acabou culminando no Dia Nacional da Consciência Negra – 20 de novembro. Pra quem não sabe, ele surgiu em Porto Alegre. Hoje é feriado em mais de 500 cidades do Brasil, mas foi um movimento que surgiu no RS. Com isso, também veio uma crítica há alguns elementos da cultura do RS que não incluíam negras e negros”, explica o vereador que ainda pondera: “O principal dia do movimento negro em todo país surgiu de Porto Alegre, mas aqui não é feriado.”

“O que acontece é que o Hino do RS é pensado para retratar ao contexto da Guerra dos Farrapos. Neste episódio histórico muito importante, negros e negras lutaram como lanceiros negros, uma tropa de destaque do exército Farroupilha, sob uma promessa de liberdade que não foi cumprida. [..] Na própria constituição, depois que o RS se torna independente, não se previa negros e negras como cidadãos. E ao final da guerra, houve um acordo entre Farrapos e as tropas imperiais que acabou resultando no Massacre de Porongos, onde os negros foram desarmados, entre um acordo entre Davi Canabarro e Duque de Caxias, e executados. O que acontece é que a gente quer que a verdadeira história da questão negra seja contada na cultura rio-grandense. [..] Só havia um povo escravizado durante a guerra. O povo negro.”

A frase proposta por Oliveira Silveira 

O poeta Oliveira Silveira propôs uma alteração que não mudaria a melodia e notas a serem tocadas. A frase “povo que não tem virtude, acaba por ser escravo” seria alterada para “povo que é lança e virtude, a clava quer ver escravo”.

A atitude na posse

A atitude do vereador acabou provocando reação da vereadora Comandante Nádia (DEM), ainda durante a posse. Ao discursar, a vereadora defendeu que seu colega cometeu uma descompostura ao não se levantar durante a execução do hino e que ele deveria primeiro respeitar os símbolos oficiais do Estado.

Após a fala da vereadora, Gomes afirmou: “Nós, como bancada negra, pela primeira vez na história da Câmara de Vereadores, talvez a maioria daqui que já exerceram outros mandatos não estejam acostumados com a nossa presença, não temos obrigação nenhuma de cantar um verso que diz: ‘povo que não tem virtude acaba por ser escravo.’”

Hino do Rio Grande do Sul

Letra: Francisco Pinto da Fontoura
Composição: Joaquim José Mendanha

Como a aurora precursora
Do farol da divindade
Foi o 20 de Setembro
O precursor da liberdade

Mostremos valor, constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

Mas não basta, pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo*

Mostremos valor, constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

* A frase grifada é considerada racista pela bancada negra.

Texto: Rodrigo Gallas
web@independente.com.br

20 Comentários

  1. É que não tem coisas mais importantes para se debater e votar… A que ponto chegamos. O palhaço queria atenção e conseguiu… esse é o problema, temos que parar de dar enfoque para essas pessoas.

  2. Vou deixar um recado para este este inútil ….
    Preocupe-se com a saúde, educação, saneamento, e deixe de ser mais um político sem vergonha na cara.

  3. Este imbecil, deveria voltar a estudar e aprender o que é virtude, se não tiver ou não aprender, vai voltar a ser escravo sempre… merecia impeachment antes de ser nomeado vereador.

  4. Achei uma grande falta de respeito. Porque o deputado que não cantou o hino, colocou seu interesse acima do estado, que é um ato anti patriota, além de ser desrespeitoso. Se ele não concorda com o hino, ele pode promover uma mudança, como fez, mas na execução do hino, deve-se manter a postura e respeito sobre a execução do hino do estado. Torço para que ele repense sobre sua atitude e aprenda com seu erro.

  5. Parabéns ao vereador devemos criar o debate e eplo que da pra nos comentários é que as pessoas não conhecem a própria história!

  6. O cara entra como vereador pra defender o estado e já começa e srespeitaneo o hino do estado. Aí quer falar sobre racismo! Bom senso passa longe.

  7. 200 anos que existe esse hino no rio grande e agora me vem um cidadão falar que se sentiu ofendido pela letra…. aí já é demais gente…… quando vem um funk com a letra da música que ofende o trabalhador e ensina nossa juventude a quer somente a vida de sexo, drogas, armas e outras coisas ninguém fala….. aí um olhar ou uma letra de um hino de um estado virar racismo….. tenhamos paciência ao invés de lutar pela educação, saúde, e igualdade vem fulano pedir isso……. primeiro precisa saber oque racismo depois sim sentir se ofendido…….pois a letra fala que se o povo não se unir vamos todos trabalhar para o governo…..vejamos hj quanto um cidadão trabalha para no final somar 65% de impostos e 35 % para viver então antes de falar abobrinhas vai trabalhar pra ocupar a cabeça com coisas boas…….

  8. O Povo Gaúcho deveria fazer um abaixo assinado pedindo o impeachment deste indivíduo. Com tantos assuntos importantes pela saúde, segurança e educação de todos os Porto-Alegrenses, vem já desde o primeiro dia falando asneiras e desrespeitando o nosso hino, o hino de todos os Gaúchos, que nos orgulha de tão lindo que é. O que esperar dos outros 1.460 dias de mandato que terá ?

  9. É de se esperar mais proezas assim de uma nulidade dessas.
    Queres lutar contra racismo, faça algo realmente efetivo meu velho. Torna-te um ser humano ativo, defenda causas, doe parte do seu salário em questões humanitárias e em defesa dos menos favorecidos com efetividade. Mudar hino, ou pior, não respeitar teu dever cívico como representante dos teus eleitores demonstra que tu és um baita dum estrupício. Teria vergonha de tê-lo como representante de uma raça tão fadigada e castigada inconcebivelmente, a ponto de perceber que sua luta definitivamente não é em prol do povo negro. Nem mesmo sente pelo seu povo. Apenas usa de sofrimento alheio para tentar promover-te e ademais, não irás te reeleger…rogam os gaúchos de boa índole.
    E de fato, já cansado de política e políticos dessa estirpe, que faz descrer-me de um melhor futuro pra nosso povo, sejam brancos, negros, indios, alemão ou italiano, ou simplesmente pessoas humanas, desejo ardentemente que vá mudar o hino do Rio Grande lá abraçado com o capeta.

  10. Saudações ao Historiador e Vereador Matheus! “Já há um manifesto assinado por mais de 600 historiadores pela mudança do hino” e “O mais importante é que a sociedade debata o tema”. Cresci numa cidade, Sant’Ana do Livramento, onde até às vésperas da Constituição de 1988 havia clubes e boates que não deixavam negros entrar.

    • Cagar a pau os 600 iditotas. E mais um que é tu, pendurar pra exemplo.
      Asno.
      Eu cresci onde tinha sol, não me queixo de ter tido insolações por vezes.
      Cresci onde o que tu chama de bullying, era chacota e todos que participavam são amigos leiais desde sempre. E sempre seremos.
      Lixo escroto. Historiador ….rsrsrs….vá com tuas histórias lá pro diabo que te carregue.

  11. Brasil ocupa 60ª posição em ranking de educação em lista com 76 países. Mas eu sou” historiador” aprendi nas “melhores universidades do Brasil”. No meu ponto de vista, quanto mais gente de nesse nível intelectual ,melhor para meus filhos, vão ter um futuro brilhante pois não vão ter concorrência no mercado de trabalho!

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