O não dito é significativamente tóxico nas relações afetivas

Confira o comentário da psicóloga e psicanalista clínica Dirce Becker Delwing


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Foto: Frepik

Acabo de ler um livro interessante chamado “Amar, desamar, amar de novo”, de Marcos Lacerda. Ele é psicólogo, mestre em Psicologia Social. O autor entende que, ainda que os casamentos não sejam cor-de-rosa, que não sejam a todo minuto uma paixão desenfreada, que tenham momentos de desavenças, o ser humano sonha, sim, com alguém especial que dê aquela esquentada na alma, especialmente quando ele se depara com o vento gelado da solidão.


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Sigmund Freud tem uma frase muito bonita, que assim diz: “Como fica forte uma pessoa quando está segura de que é amada”. Essa frase está numa carta que Freud escreveu, no dia 27 de junho de 1882, para sua namorada Martha, com quem se casou e teve seis filhos. Muitas vezes, quando a vida é dura conosco, quando algo dá errado no trabalho, quando um projeto não deu certo, quando alguém não foi correto conosco, como é acolhedor lembrar que temos alguém nos esperando em casa. Se é tão bom assim ter alguém nos esperando, por que é tão trabalhoso manter uma relação a dois?

Dizem que no céu há uma torta recheada com as melhores guloseimas já experimentadas no preparo de um bolo. E que esta torta está à disposição para ser servida ao primeiro casal que cruzar pela portaria de São Pedro sem nunca ter brigado nesta vida. Parece que está lá há muito tempo, coisa do mundo antigo, antes mesmo da era de Cristo. O mais interessante é que a torta segue inteira até os dias de hoje porque nenhum casal conseguiu cortar a primeira fatia. Essa história meu pai contava quando eu era criança. Devia ser nos momentos em que havia alguma discussão na nossa casa. Aliás, tem coisa que mais incomoda um filho do que ver seus pais brigando? No entanto, qual é mesmo o casal que volta e meia não troca farpas ou se desentende por alguma razão?

A vida a dois requer companheirismo, renúncias e persistência. De ambas as partes. No livro que referi, o autor coloca que, numa relação a dois, os problemas raramente acontecem por causa das coisas que falamos, mas sim pelas coisas que calamos. O não dito sempre é o mais tóxico nas relações afetivas.

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