O rascunho pode ser um espaço de criatividade, mas também de insegurança

"Embasada pela psicanálise, eu diria que sair do rascunho pode ser se responsabilizar por suas produções", explica a jornalista e psicóloga Tamara Bischoff


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Foto: Ilustrativa / Pixabay

Nessa sexta-feira (27) comemoramos o Dia do Psicólogo. A convidada deste sábado do programa “Arte de Empreender”, Fernanda Tochetto, também é psicóloga, e pesquisando sua rede social encontrei uma expressão que ela utiliza e que achei muito curiosa. Ela diz “saia do rascunho”.

Fiquei pensando o que seria estar no rascunho e sair dele? E a primeira imagem que me veio à mente foi da época do colégio, quando, ainda crianças, éramos orientados a fazer um trabalho primeiro no rascunho, local onde era possível riscar, apagar, mudar de opinião, voltar atrás. O rascunho seria, neste caso, um lugar onde é possível expressar a criatividade. Então assim, à primeira vista, o rascunho era até um espaço legal, seguro. Mas chegava uma hora que a gente tinha que se decidir, e então, “passar a limpo”. Era quando você precisava fazer uma escolha, e a partir daí, responder por ela, afinal, você seria avaliado.


ouça o quadro “postura profissional”

 


Tamara Bischoff, jornalista e psicóloga

Então, embasada pela psicanálise, eu diria que sair do rascunho pode ser se responsabilizar por suas produções. Rascunho a gente faz pra treinar, quando tem medo excessivo de errar, quando estamos inseguros diante de nossas escolhas e de suas consequências.

Mas ao assumirmos nossas vulnerabilidades, podemos ficar mais seguros para fazer o que desejamos e mostrar isso ao outro. É aquela coragem de dizer “É isso que eu tenho a apresentar hoje”, e deixar que o mundo veja, seja para concordar ou discordar.

Mário Quintana escreveu: “Há noites que eu não posso dormir de remorso por tudo o que eu deixei de cometer”.

Por Tamara Bischoff, jornalista e psicóloga

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