O ser humano pode escolher sua atitude em relação às adversidades

Dirce Becker Delwing analisa o livro “Em Busca de Sentido”, do professor e neuropsiquiatria austríaco Viktor Frankl. Na obra, ele conta como conseguiu sobreviver e ressignificar a vida depois de passar três anos em campos de concentração nazistas durante a II Guerra Mundial


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Experimentar a sensação nítida de que uma linha tênue separa a vida da morte é uma vivência transformadora. No começo do ano passado, fiquei muito doente e, nos quarenta dias, em que estive em situação mais crítica, pensei nos investimentos inúteis que fiz na vida, coisas que me custaram esforço e que teria que deixar caso morresse. Também senti arrependimento por tudo que deixei de fazer por falta de coragem, ou porque temia a opinião alheia. Fiz uma lista de propósitos pelos quais poderia ficar viva, muito embora acolhi a doença com serenidade porque entendo que tudo que dói tem um sentido, mas é preciso que consigas enxergá-lo em algum momento.

Conto isso para referir uma obra que li recentemente e que aborda temática semelhante: “Em Busca de Sentido”, livro escrito pelo professor e neuropsiquiatria austríaco Viktor Frankl, falecido em 1997. Na obra, ele conta como conseguiu sobreviver e ressignificar a vida depois de passar três anos em campos de concentração nazistas durante a II Guerra Mundial.

Em grande medida, Frankl atribuiu isso à forma como olhou para aqueles horrores todos. Em suas observações, percebeu que os soldados que tinham objetivos inacabados, ou que tinham família, gente esperando do lado de fora, eram mais resistentes diante das adversidades e sofrimentos que lhes eram impostos. Ou seja, aquele que tinha motivos para seguir vivendo, suportava tudo com mais coragem e determinação. Para Frankl, nada proporciona melhor capacidade de superação e resistência aos problemas e dificuldades em geral do que a consciência de ter uma missão a cumprir na vida.

O autor também reflete sobre a liberdade espiritual do ser humano, “a qual não se lhe pode tirar, permite-lhe, até o último suspiro, configurar a sua vida de modo que tenha sentido”. Por isso, também na doença, ou diante de uma situação de extremo sofrimento, há possibilidade de encontrar aspectos positivos, de transformação interior. Nesse caso, o sentido da vida pode estar nas mudanças que a pessoa fará a partir de então. Como diz o autor, quando não podemos mais mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos.

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