O silêncio é agressivo quando deseja gerar culpa no outro

Permanecer emburrado, ficar quieto e isolado para gerar culpa nos outros, e é diferente de ficar em silêncio


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Foto: Divulgação / Ilustrativa

Meu marido até pode falar em alto e bom tom comigo. Bem possível que eu não revide na hora. Contudo, faço planos para dar a resposta em momento seguinte. E isso não me tira verdadeiramente do sério.

Ao contrário, me atiça a encontrar sabedoria para exercer minha defesa com argumentos plausíveis. Justiça verbal feita, tudo volta ao normal e a gente já nem lembra mais da discussão. Penso que qualquer desafeto, opinião diferente, ou estranhamento pode ser dissolvido se existe conversa.

Por outro lado, ficar emburrado, silenciar e não colocar para fora o incômodo, pode gerar sofrimentos desnecessários e desencadear o afastamento das pessoas envolvidas. Por isso, em todas as casas deveria prevalecer um acordo: ninguém pode ir para a cama emburrado.

O poeta Fabrício Carpinejar escreveu certa vez que “ficamos ofendidos com facilidade e não tiramos a limpo a ofensa, a agressão, o incômodo. Preferimos sofrer por orgulho a desfazer enganos. Logo nos fechamos e não conversamos sobre aquilo que foi dito e nos feriu. Entramos no modo emburrado e nos distanciamos, contrariados, guardando uma mágoa imaginária”. Esticamos um beiço enorme, fingimos que não ouvimos, não vemos e não falamos. “Tratamos um descuido como se fosse uma ofensa gravíssima. Contabilizamos a falha em nosso caderno de fiado e preparamos uma vingança”.

É importante referir que permanecer emburrado, ficar quieto e isolado para gerar culpa nos outros é diferente de ficar em silêncio. Em certas ocasiões, respirar fundo e não falar pode ser a melhor escolha a fazer. O filósofo Confúcio dizia que “O silêncio é um amigo que nunca trai”.

Por Dirce Becker Delwing, jornalista, psicóloga e psicanalista clínica.

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