“O sistema prisional está lotado de usuários de drogas por falhas no sistema de saúde mental”, afirma psiquiatra

Rafael Moreno defende uma revisão das hipóteses de tratamento involuntário. "O paciente grave perde a noção do querer", afirma


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Foto: Ilustrativa / Pixabay

O médico psiquiatra Rafael Moreno abordou os problemas da assistência aos usuários de álcool e drogas no Brasil, em participação no quadro “Direto ao Ponto”. O profissional observa que aumentou a demanda por emergência psiquiátrica. Para ele, essa elevação já era esperada no pós-pandemia. A maior necessidade “faz com que as falhas no sistema de saúde em saúde mental fiquem expostas”, lamenta.

Moreno diz que o país tem um problema crônico em assistência pós-internação em função das intervenções somente de modo voluntário, com a anuência do usuário (somente em casos de extrema gravidade é autorizada a internação involuntária).

Médico psiquiatra Rafael Moreno (Foto: Tiago Silva)

“O sistema prisional está lotado de pessoas, de usuários de drogas por falhas no sistema de saúde, no meu entender, por essa ideologia de que o paciente tem que querer fazer o tratamento. A gente sabe que o paciente grave perde a noção do querer. Ele não tem mais o poder de escolha”, descreve o psiquiatra. Mesmo para o paciente voluntário, o sistema de saúde não fornece uma prevenção adequada para as recaídas, ressalta o médico.

Moreno explica que os países mais bem qualificados em saúde mental prevem hipóteses de tratamento involuntário em estabelecimentos de longa permanência, que não existem via SUS no Brasil. O psiquiatra também defende uma reestruturação no sistema prisional para não misturar nas cadeias os usuários de álcool e drogas, que comentem delitos em nome do vício, de outros criminosos.

1 comentário

  1. Não a toa o Curso de Medicina da Univates não tem estágio nos Centros de Atenção Psicossocial. O que eles aprendem com esses professores é sobre CONTROLE. Prender para tratar, em hospícios maquiados de instituições de Longa Permanência que deixamos para traz, nos livros sobre Holocausto. Lamentável. Vamos prender/internar todo mundo ou revisar as políticas de saúde mental e das drogas?

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