O Vale do Taquari é o maior centro do RS neste tipo de fraude, diz delegado sobre golpe envolvendo o seguro DPVAT

Segundo Dinarte, o volume de negociação da organização criminosa é maior do que o imaginado


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Foto: Júlio César Lenhard

Setenta policiais e 35 viaturas estiveram envolvidos na Operação Aleteia, desencadeada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Lajeado nesta quarta-feira (12). Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em residências e empresas do Vale do Taquari para desarticular uma organização criminosa especialidade em fraudes ao seguro DPVAT. O grupo agia em Lajeado, Cruzeiro do Sul, Estrela, Arroio do Meio, Teutônia, Venâncio Aires, Estância Velha e Portão.

Segundo o delegado titular da Draco, Dinarte Marshall Júnior, foram apreendidos dezenas de computadores, celulares, documentos e dispositivos de armazenamento de mídia. “Numa primeira análise do material coletado verificamos que o volume de negociação dessa organização era bem maior do que o imaginado. O grupo era muito bem estruturado e possuía informações sistematizadas de dentro de algumas instituições de saúde, unidades de atendimentos e hospitais”, conta.

Dinarte lembrou também que não é necessário o intermédio de alguma pessoas para ser feito o encaminhamento do seguro DPVAT e explicou a estratégia de atuação dos golpistas. “Nós acreditamos que esses fraudadores iam até o local em que a vítima estava sendo atendida, num momento de fragilidade, sabendo que talvez iria ficar algum tempo sem a sua renda, ou sem poder caminhar. Então eles se valiam desta situação e falam que iriam resolver tudo para a vítima”, descreve

Em 2017 foram cerca de 380 mil encaminhamentos de pedidos de indenização ao seguro DPVAT. Destes, 10,7 mil eram um tentativa de fraude. “Pra se ter uma ideia, essas mais de 10 mil fraudes identificadas representaram uma economia de R$ 220 milhões. O Rio Grande do Sul é considerado hoje o terceiro maior estado brasileiro em número de fraudes contra o DPVAT e o Vale do Taquari, proporcionalmente, é o maior centro do RS deste tipo de crime”, alertou o delegado.

Até o momento, segundo Dinarte, doze alvos são investigados nos inquéritos. Mas os números podem aumentar, pois alguns elos do esquema ainda precisam ser identificados. A Polícia Civil ainda apura a participação de pessoas ligadas a hospitais, que estariam colaborando com informações para a execução das fraudes. “Certas investigações exigem que nós cumpramos todos os mandados de maneira simultânea. As vezes o pessoal não sabe que esses grupos criminosos estão interligados e trocam informações. Então, se nós formos em um residência num dia e deixarmos para ir até outra casa no dia seguinte, muito provavelmente a prova irá se perder”, concluiu.

Texto: Artur Dullius e Júlio César Lenhard
am950@independente.com.br

 

 

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