O verdadeiro pinheiro

Confira o comentário do engenheiro agrônomo Nilo Cortez.


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Lendo sobre a história da árvore de Natal, tudo indica que a primeira aconteceu em Riga na Letônia 1510. Na região dos países Bálticos com Lituânia e Estônia (antiga Rússia) que tinham o costume de cortar o pinheiro levar para casa e enfeitar.

A Alemanha utilizava o pinheiro alemão sem espinho e de lá veio para o Brasil. Cultivamos este pinheiro também como paisagismo e corte para o Natal. E usamos no passado muito o nosso pinheiro “ Araucária angustifólia” com espinho. Havia quem cultivava para a finalidade do Natal. Aos pouco isto foi diminuindo, ainda bem, e substituído por pinheiros artificiais.

Cerca de 200.000 km² de matas originais tinham pinheiro. Nas áreas mais elevadas do Paraná (40%), Santa Catarina (30%) e Rio Grande do Sul (25%). Também nas partes elevadas da Serra do Mar em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais tinham bosques de pinheiro. Era abundante e infelizmente a sua exploração, áreas de reflorestamento exótico, e uso da terra para cultivo diminuiu de forma que hoje temos apenas 3%. Corte só se seguir a legislação e com reposição comprovada. A madeira era utilizada em construção, móveis, caixas, palito de fósforo, lápis, tábua para ressonância em pianos, celulose de fibra longa, a lenha não é boa, mas o nó de pinho é muito usado. A resina é usada na medicina, óleo, breu, alcatrão, vernizes, ácido e acetona. O artesanato usa a madeira e os nós para diversos trabalhos. Inclusive a casca é usada para fabricação de bebidas fermentadas. A grimpa (ramos secos com folhas) são utilizados para placas de fibras de madeira, briquetes e fogo.

A Araucária pode viver 700 anos chegar a 50 m de altura e diâmetro passando de 2 metros. Há pés masculinos que o vento se encarrega de levar o pólen e algumas aves. Outros femininos que produzem a pinha que nos dá a semente “pinhão”. Muito apreciado cozido, assado, conserva, panificação, salada, e muitas receitas disponíveis na internet.
Em média uma pinha tem de 700 a 1200 escamas e 150 pinhões. Pesa ao redor de 2,3 kg e produz 0,82 kg de pinhões.

A Gralha azul leva a fama de enterrar (plantar) os pinhões. O que acontece que ela deixa cair do alto das árvores. Quem na verdade enterra é a gralha amarela. E recebe ajuda de ratos, pacas, ouriços, esquilos, macacos, tucanos, cutias que escondem para comer depois e esquecem.

Com a diminuição da flora e fauna o plantio natural é muito pequeno. Se não houver ajuda estaremos correndo o risco do desaparecimento dos pinheiros no futuro. As reservas para proteção são muito pequenas (0,2%). Na cidade não recomendo o plantio pelo seu grande porte e depois pela queda da gripa só vai causar problemas na vizinhança. Mas, se tiver área rural é interessante não só pela preservação e produção de pinhão. São árvores que marcam a vida, irão durar muito mais que nós e poderão levar a sua história para os netos e bisneto…. Pense nisto vá com eles planta e ensina a cuidar.

Nas partes altas do Vale ainda encontramos alguns pinheiros. Boqueirão do Leão, Ilópolis, Arvorezinha, Putinga e Anta Gorda tem algumas árvores consideradas primária ainda.

Áreas de Preservação incluindo Araucária no RS: Visitação agendada

– Proteção Ambiental Rota do Sol (Três Forquilhas, São Francisco de Paula,
Itati e Cambará)
– Floresta Nacional de Canela.
– Floresta Nacional de Passo fundo.
– Floresta Nacional de São Francisco de Paula.
– Parque Estadual de Caracol. (Canela)
– Parque Florestal Estadual Espigão Alto. (Barracão)
– Parque estadual de Ibitiriá (Vacaria e Bom Jesus)
– Parque Estadual do Papagaio Charão (Rondinha).
– Parque Estadual Tainhas (São Francisco de Paula, Cambará e Jaquirana)

1 comentário

  1. Um aspecto interessante da nossa araucária é a qualidade do seu sistema radicular, onde as raízes passam do tamanho das copas. Nas mudas a raiz tem 3x o tamanho da parte aérea. Tal fator é determinante na estrutura do solo, melhorando a retenção de humidade e a vida. Em áreas íngremes tem papel importante na estrutura das encostas.

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