Ômicron: “Precisamos esperar evidências científicas robustas”, diz mestre em imunologia sobre preocupação com a nova variante

Segundo Letícia Sarturi, pode haver escape imune, mas o vírus é o mesmo. Portanto, a imunidade obtida via vacinas não será comprometida totalmente


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Letícia Sarturi, mestre em imunologia, PhD em Biociências e Fisiopatologia, professora universitária e roteirista/apresentadora do podcast Escuta a Ciência (Foto: Reprodução / Twitter)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a “ômicron” como variante de preocupação em 26 de novembro. Com isso, a nova variante foi colocada no mesmo grupo de versões do coronavírus que já causaram impacto na progressão da pandemia, como: alfa, beta, gama e delta. A ômicron foi originalmente descoberta na África do Sul. Ela é considerada de preocupação, pois tem 50 mutações, sendo mais de 30 na proteína “spike” (a “chave” que o vírus usa para entrar nas células e que é o alvo da maioria das vacinas contra a Covid-19).

Para falar sobre o assunto entrevistamos, direto de São Paulo, a mestre em imunologia, PhD em Biociências e Fisiopatologia, professora universitária e roteirista/apresentadora do podcast Escuta a Ciência, a médica Letícia Sarturi. Segundo ela, esta classificação, de preocupação, só é dada a variantes que realmente tem potencial de apresentar alguma característica diferente da cepa original do vírus, e que podem causar escape imune ou maior transmissibilidade.

 

No entanto, pouco se sabe sobre esta nova cepa do vírus. “Neste momento, a gente precisa avaliar a situação e esperar as evidências cientificas robustas, que vão mostrar, pra gente, se realmente esta variante vai representar alguma preocupação pelo mundo.”

O que se sabe até agora é que foram registrados casos leves em indivíduos vacinados e as hospitalizações foram maiores em indivíduos não vacinados. Apesar disso, estas não são evidencias robustas. “Só o tempo nos dirá quais são as características desta variante. Se há comprometimento vacinal frente a esta variante.”

Letícia pondera que as vacinas protegem contra todas as variantes. “Pode haver escape imune, mas estamos falando do mesmo vírus. A imunidade não será comprometida totalmente”, explica. RG


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