Oposição quer picadeiro com nova CPI, e conselheiro econômico deixa Moro em maus lençóis com liberais

PT acena com revogação da reforma trabalhista, um dos maiores avanços recentes em modernização do mercado de trabalho no Brasil


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Randolfe Rodrigues quer nova CPI para emparedar governo (Foto: Leopoldo Silva / Agência Senado)

Em ano eleitoral, a agitação nos bastidores esquenta a pauta política dia após dia. Uma das estratégias da oposição é enfraquecer o governo, de modo que possa enfrentar um Jair Bolsonaro debilitado na busca por sua reeleição. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que deve concorrer ao governo no Amapá em outubro, apresentou pedido para a instalação de nova CPI para investigar a conduta do governo na pandemia de covid-19. Randolfe foi vice-presidente da CPI da Covid no Senado ano passado, que gerou grande repercussão.

A comissão, em que pese tenha se debruçado sobre questões importantes, deixou a desejar e foi criticada por se tornar um circo político em muitas sessões. Há outros meios, mais efetivos e menos interessados em palanque político para seus membros, de se investigar. Ainda mais em se tratando de um tema tão sensível como a política de saúde pública em meio à pandemia. Uma investigação não pode se tornar picadeiro político.

Corporativismo sindicalista

Em outra frente, Lula e o PT puxam o exemplo da Espanha, onde os socialistas do PSOE, no governo, reverteram uma reforça trabalhista no país europeu. O mandachuva da esquerda brasileira trouxe o tema ao centro do debate, para o arrepio de empresários, empreendedores e do mercado financeiro. A reforma trabalhista, aprovada em 2017, foi um dos maiores avanços legislativos para modernizar o mercado de trabalho brasileiro. Ela foi aprovada com a derrocada do PT, que passou a mão e fornecia agrados à sua base sindical.

O curioso será ver como o ex-tucano Geraldo Alckmin, cotado para vice de Lula, se comportará. O PSDB foi um dos principais promotores da reforma, e Alckmin teria expressado preocupação com a disposição do PT em operar esse retrocesso. Alckmin conversa com partidos para se filiar. Um deles é o Solidariedade, de Paulinho da Força, um sindicalista ligado à Força Sindical. O ex-governador de São Paulo, quando mais abre frente de negociação, já que esfriou sua possível ida ao PSD de Gilberto Kassab, mais perde apoio de sua base, principalmente no interior paulista.

Lula e o socialista Pedro Sanchez, chefe de governo da Espanha, debatem revisão da reforma trabalhista (Foto: Ricardo Stuckert / Divulgação)

“Superados”?

Falando de economia e política, um artigo de Affonso Celso Pastore, ex-presidente do BC e conselheiro do presidenciável Sergio Moro, colocou uma pulga atrás da orelha dos liberais. O ex-juiz da Lava Jato tem como principal bandeira a pauta anticorrupção, mas tenta expandir seu escopo de campanha ao se aproximar de pautas liberais e conservadoras, pela centro-direita. Porém, o texto de Pastore para a Folha de S. Paulo coloca Moro em maus lençóis.

O economista classificou o “Estado mínimo”, Ronald Reagan e Margaret Tatcher como “superados”. O ex-presidente americano e a Dama de Ferro britânica são referências políticas em uma sociedade de livre mercado, e ao se referir dessa forma, Moro se pareceu mais como um social-democrata e menos como um liberal.

Calendário

As convenções eleitorais ocorrem entre 2 meses e 45 dias antes das eleições. Antes disso, porém, há uma série de datas importantes para ficar atento no calendário. O período de desincompatibilização de cargos públicos depende de cada função, e deve movimentará o tabuleiro.

Na Esplanada, especula-se que entre 8 e 12 ministros devem desembarcar de seus ministérios para concorrer. Um vice-líder do governo no Congresso diz que não devem ocorrer mudanças significativas na condução, e que as pastas devem ficar a cargo dos seus secretários-executivos, mantendo a aliança entre Governo e partidos do Centrão.

Texto por Douglas Sandri, graduado em Engenharia Elétrica, é presidente do Instituto de Formação de Líderes (IFL) de Brasília e assessor parlamentar. Todas as quartas-feiras, participa do quadro “Direto de Brasília”.

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