Os narradores e seus bordões

Todos têm seus trejeitos na hora de conduzir o “espetáculo futebolístico” que transmitem.


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O Grupo Independente está bem servido de narradores em seu quadro esportivo. Tem opções de narradores mais modernos, como Moisés Ely, Marcelo Cardoso e Ricardo Sander, tal como o clássico Rudimar Piccinini. Todos têm seus trejeitos na hora de conduzir o “espetáculo futebolístico” que transmitem. Para nós, o mero “jogo de futebol”. Digo isso pelo fato de o narrador ser o mais exagerado das jornadas esportivas, e não é por mal.

Dentre todos os aspectos que permeiam as expressões de um narrador, um é capaz de colocá-los na história do rádio, é aquilo que muitas vezes os eterniza: os bordões.

A estratosfera se notabiliza porque nela começa a difusão da luz, que torna o céu azul. Dela, o narrador Moisés Ely transportou seu bordão mais utilizado em lances de grande importância. O pausado “es-tra-tos-fé-ri-co”, no dicionário também é entendido como “grandioso”, “astronômico” ou “muito elevado”. Quando Nico López destrincha a defesa com um de seus chutes de perna canhota potentes de fora da área, o gol é “estratosférico”. É o topo, a meca dos gols bonitos, dos lances maravilhosos.

Da linguagem popular, Ricardo Sander tirou o “pode abraçar” em gols e o “caramba” em lances perigosos. Seja na frente da TV com amigos e familiares torcendo pelo seu time do coração ou, principalmente, no estádio, da arquibancada, abraçar alguém depois de um gol é a demonstração mais espontânea de afeto e emoção gerada pelo seu time, tanto para torcedor como para os jogadores dentro de campo. Já o “caramba” caracteriza as perdas de gol ou os lances de perigo que cheguem perto das metas dos goleiros. Ainda espero para ouvir um “caramba” seguido de um “pode abraçar”, ou “vice-versa”, se houver VAR. “Caramba, o VAR anulou”.

“Pelos caminhos do futebol” é de Rudimar Piccinini. Ele usa o bordão para abrir as jornadas, encerrar e girar o tempo e o placar do jogo, trilhando cada etapa da sua carreira. São muitos caminhos, muitas viagens, muitas histórias pra contar. Costuma chamar os estádios de “palácios”, embora muitos não cheguem perto da comparação a um desses edifícios sumptuosos. Mas o narrador é o mais exagerado e não é pra menos.

Já pensou um lance sendo narrado pelos três acima? Seria mais ou menos assim: “Pelos caminhos do futebol o tempo não para, são 45 minutos do segundo tempo aqui no Palácio do Rio de Janeiro. No Maracanã, Brasil 6 x 1 Alemanha. Olha a bola alçada na área, Gabriel Jesus de cabeça, caraaaaaaaaaamba, a bola bate na trave. Atenção! Voltou, Arthur, na entrada da área, rola pra direita, Daniel Alves, vai cruzar de novo, cortou o marcador, que corte espetacular, cruzou rasteiro, Neymaaaar, pode abraçaaaaaaaaaaaaaaaaaar. Goooooooooooooooool! Um lance extraordinário, eeeeesss-tra-tos-fé-ri-co da Seleção Brasileira! Agora Brasil 7 x 1 Alemanha.”

Se surgir um “na verdade eu te diria o seguinte” na próxima frase, o papel é do “olho vivo”.

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