Os impactos da pandemia no emprego e nos diferentes setores da economia do RS

Confira a participação da economista, professora universitária e presidente do Codevat, Cíntia Agostini no quadro "Direto Ao Ponto".


0
Cintia Agostini, economista e presidente do Codevat  (Foto: Arquivo / Univates / Divulgação)

Estamos todos preocupados com a ampliação do número de regiões na bandeira vermelha e temerosos com as perspectivas para os diversos setores econômicos do estado do Rio Grande do Sul. Em caso de bandeira vermelha, muitos negócios só podem funcionar com 50% dos seus trabalhadores e muitos dos negócios do comércio não podem abrir suas portas.

Se observarmos, a partir de informações das pesquisas do IBGE e do Sebrae temos percebido movimentos negativos em todos setores. Especificamente em se tratando das pesquisas do Sebrae, temos observado que 75% dos setores de serviços, comércio e indústria, indicaram que tiveram impactos negativos em seus negócios, tanto em vendas como faturamento.


ouça o comentário

 


 

Se observarmos os pedidos de seguro-desemprego disponibilizados pelo Sebrae, podemos observar que esses mesmos setores foram os que mais demitiram no estado. Os pedidos de seguro-desemprego aumentaram em 70% no mês de maio desse ano, se comparado ao ano de 2019. Dos pedidos, 32% estão no setor de serviços, 31% na indústria e 25% do comércio. E, em se tratando da renda média, 70% dos trabalhadores que pediram seguro-desemprego, ganhavam de 1,5 até 3 salários. Por fim, ainda ontem foram lançados pela Rais/Caged o volume de admissões e demissões, e, no saldo de 300 mil negativos, o setor de serviços, o comércio, a construção civil, seguidos pela indústria, foram os que mais demitiram.

Esse quadro reforça a perspectiva dos impactos da pandemia nos setores de serviços e comércio, seguidos pelo setor que mais contrata, a indústria. O agronegócio indica menor impacto e níveis de desemprego menor no período e confirma o resultado do PIB do primeiro trimestre do estado, sendo o único setor com resultados positivos.

Assim, a medida que chegamos próximo ao que hoje estimamos ser o pico da pandemia, ou seja, em julho, percebemos a piora dos indicadores nas diferentes regiões do RS e o aumento do número de bandeira vermelha em diversas regiões. Os impactos econômicos estão em todos os setores, mas de forma significativa, em três destes. Assim, as regiões, e aqui se enquadra o Vale do Taquari, que tiverem um agronegócio forte, poderão ter menos impactos econômicos decorrentes da pandemia, comparadas a outras regiões do estado. Quando olhamos para nosso Vale do Taquari, obviamente todos sofrerão com a pandemia e isso ainda não acabou.

Por isso temos que zelar por nossos negócios, mas tomar um cuidado significativo para não voltarmos para a bandeira vermelha e mais ainda, para não termos uma segunda onda da pandemia logo ali na frente. Equilibrar negócios com todo o zelo e cuidado e a saúde coletiva, esse é o grande objetivo a ser alcançado por todos nós coletivamente.

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui