Os reajustes nos preços do combustível e seus impactos na economia

São reajustes que acumulam aumentos de 41% na gasolina, 34% no diesel e 17% no gás de cozinha.


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Cíntia Agostini (Foto: Tiago Silva)

Tema latente e de difícil compreensão para a sociedade é a percepção de como é possível sermos um grande produtor de petróleo e nossos preços serem alterados por questões que independem da nossa vontade. Desde o início do ano de 2021, os preços dos petróleos variaram cinco vezes. São reajustes que acumulam aumentos de 41% na gasolina, 34% no diesel e 17% no gás de cozinha. No entanto, esses aumentos independem do Brasil, ou seja, como o petróleo é uma commoditie, seu preço é determinado pela produção mundial, ou seja, oferta e demanda de produto, e pelo câmbio, ou seja, pela relação da nossa moeda com as moedas estrangeiras.

No caso do barril de petróleo, o mesmo variou somente nesse ano de 2021 23%, e o nosso câmbio variou nesse mesmo período um pouco mais de 7%. Isso indica que ficou mais caro o petróleo no mercado internacional e mais caro para importarmos petróleo. Associado a isso, temos os custos dos impostos federais e estaduais, que são em média 42% do valor do produto final, além da cadeia de produção e distribuição do produto, que faz com que o litro do combustível varie de Estado para Estado. Por fim, a concorrência dos postos de combustíveis faz com que as variações sejam regionais e locais.

Fato é que os dois principais aspectos atrelados a questão do combustível são a renda da população e os custos de logística. Em alguns países o preço do combustível é subsidiado por mecanismos diversos, em outros, funciona pela livre concorrência. Na Alemanha, que funciona pela livre concorrência, o preço pode variar várias vezes ao dia e outros países fazem alguns ajustes, como reajustes em períodos maiores ou até mesmo gatilhos de impostos que reduzem quando os preços variam muito.

Apesar do preço do combustível brasileiro não ser o mais caro, ele é mais significativo na renda da população brasileira se comparado com a renda da população de diversos países. Nosso salário mínimo compra 4,5 tanques de combustível, enquanto que no Chile, mesmo que metade do petróleo seja importado, o salário mínimo chileno dá conta de encher 8 tanques de combustível e no caso do Japão que importa 100% do petróleo que consome, com o salário mínimo japonês é possível adquirir o equivalente a 20 tanques de combustível. Por fim, os custos de logística no Brasil são estimados em 20% dos custos de produtos, enquanto que em outros países chegam a 8%. Assim, a alternativa paliativa do governo federal decretada no início dessa semana é a redução temporária (2 meses) dos impostos federais (PIS e Cofins) sobre o preço do diesel e a redução permanente desses mesmos impostos para o gás de cozinha, exclusivamente.

No caso do diesel esses impostos representam 8% e no caso do gás de cozinha, 3% do valor do produto. No entanto, para baixar esses impostos, outros serão ajustados, haverá aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das instituições financeiras, alteração de regras de Imposto sobre os Produtos Industrializados (IPI) para a compra de veículos por pessoas com deficiência, entre outras decisões necessárias ao ajuste de caixa devido as perdas de recolhimento com esses impostos.

O tema é ambíguo e não existe uma resposta simples para um tema tão complexo. A União não pode interferir na empresa Petrobrás pois esta é uma das maiores empresas do mundo, mas também precisa encontrar formas de mitigar os custos que o combustível representa para a economia brasileira. Existem exemplos mundo afora que contribuem para equilibrar os efeitos dessas alterações de preços e que nos podem servir de exemplo para minimizar os impactos dessas variações que influenciam na renda da população e nos custos dos produtos finais que consumimos.

Cíntia Agostini, economista, doutora em desenvolvimento regional, professora universitária e coordenadora do Parque Científico e Tecnológico do Vale do Taquari (Tecnovates).

1 comentário

  1. Não me venha com este papinho de politicagem !!!!! Quando o barril de baixou 50%, a gasolina no Brasil baixou 20% !!! A diferença está no bolso dos políticos, governantes e donos de distribuidoras e postos….
    Ou não ??? Somos autosuficiente em produçao, ainda dependemos de investimentos em refinarias, mas isto não justifica este preço abusivo. Me causa estranheza a sra. Cintia defender, tentar justificar este absurdo. O que que tem á ver a renda da família com o preço do combustível ????? Será que??? Se a renda cair mais ainda eu vou ter que pagar mais caro ???? deveria ser ao contrário ou não ????

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