Pandemia, gado de leite e EAD

Confira o comentário do engenheiro agrônomo Nilo Cortez.


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Foto: Reprodução

O tal de “fique em casa” para quem trabalha na agricultura não é bem assim. A propriedade é sua casa e quem lida com animais sabe que não tem feriado ou sábado e domingo. A lavoura, frutas, hortas e jardins querem cuidados constantes e aí é “fique na propriedade”.

Mas, isto não impede que a família rural se atualize. E a EMBRAPA nos mostra uma outra realidade. Ela disponibiliza cursos para EAD- Ensino a Distância, para diversas atividades profissionais na área rural. Alguns pagos e outros gratuitos. Vamos abordar o Gado de leite importante para nossa região.

Sabemos que muitos ainda não têm bom sinal de internet e ou celular, e que EAD não é para todos, mas há quem está aproveitando.

Em 2019 foram realizados 1700 cursos de gado de leite e entregues os certificados de participação. A grande e boa notícia é que em 2020 participaram 17 mil produtores, técnicos e estudantes, cada um recebendo novos conhecimentos e seu certificado.

O Núcleo de Transferência, Treinamento e Capacitação em Pecuária de Leite- NUTTTEC, da EMBRAPA de gado de leite foi responsável por este aumento de 1000%. Com um detalhe aconteceu logo depois que a Organização Mundial da Saúde decretou a pandemia. De uma certa forma o “fique em casa” ajudou.
Para este ano de 2021 estão programados 8 cursos:
– Silagem em capim para gado de leite.
– Amostragem, coleta e transporte de leite.
– Melhoramento genético e controle zootécnico de rebanhos leiteiros.
– Controle estratégico de carrapato de bovino de leite.
– Silagem de milho e sorgo para bovino de leite.
– Produção de leite de qualidade.
– Forragens para produção de leite.
– Implantação, manejo e recuperação de pastagens.

Como sempre fica a pergunta e o leite como fica?

Foto: Divulgação

O valor de referência do leite em dezembro de 2020 foi de R$1, 5658 o litro representando 19,67% de aumento no ano. São dados do CONSELEITE. Quem atua no setor sabe que são números que precisam ser melhor observados. O aumento aconteceu praticamente em cima do dólar, valores da soja e milho e demais insumos. Ora por ser insumo importado, ora por ser grãos exportados. Internamente os estoques se reduziram e vigora como sempre a “Lei da oferta e procura”. E vamos importar grãos a preço do dólar.
Quanto aos hábitos de consumo diminuiu os que usavam restaurantes, hotéis, bares e pizzarias e áreas de turismo. Aumentou o consumo dos que ficaram em casa, principalmente de queijos. Apareceu muitos cozinheiros “ cheff” com pratos mais elaborados e harmonizados.

Comparando tudo o produtor é que fica com a menor parte desta sobra, quando sobra, e precisa cada vez mais fazer cálculos para fechar a conta. Há casos relatados que produtores estão inseminando vacas com gado de corte para aproveitar o bom preço da carne do boi. Isto não é bom para o setor. E ainda fica a dúvida de como estará a produção mais adiante sem este leite e diminuição do rebanho.

A estabilidade do preço do leite passa pelo que vai acontecer com o preço do milho da soja e valor do dólar. O investimento em pastagens e irrigação, ter reserva água suficiente ajudaram a diminuir custos de produção. Se não imediato a longo prazo.
Desafios para produtores e profissionais da área leiteira descascar este abacaxi ou melhor “a caixinha de leite”.

Por Nilo Cortez 

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