Pandemia levou a um decréscimo de diagnósticos de aids em Lajeado

“A aids não deixou de existir, ela deixou de ser diagnosticada”, lamenta a coordenadora do Serviço de Assistência Especializada.


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Foto: Rodrigo Gallas

Na semana em que se comemora o Dia Mundial de Combate à Aids, a coordenadora do Serviço de Assistência Especializada (SAE) de Lajeado, Valdirene Bedinoto, falou sobre o tratamento e prevenção à doença, em entrevista no programa Troca de Ideias desta quarta-feira (2). Conforme ela, em função da pandemia de coronavírus, houve uma baixa na procura por diagnóstico e no tratamento neste ano.

Ela cita que, em 2019, foram realizados 56 mil testes nas unidades de saúde de Lajeado. Já neste ano, o número caiu para 28,9 mil. “Houve um decréscimo no número de diagnóstico”, reconhece. “Devido à pandemia, mudou a rotina dos postos de saúde”, explica, que faz um alerta: “A aids não deixou de existir, ela deixou de ser diagnosticada.”


ouça a entrevista

 


 

Conforme explica Valdirene, Lajeado tem um programa de testagem rápida de aids desde 2012. A maior parte das infecções é decorrente de relações sexuais. Antigamente, as contaminações também eram altas com a utilização de droga injetável. Porém, essa modalidade caiu em desuso entre os usuários, que passaram a preferir as drogas inaladas.
A coordenadora do SAE diz que, hoje em dia, o tratamento da aids é mais simples.

Diferentemente de quando era preciso tomar um coquetel com até 15 remédios por dia, hoje, em muitos casos, um é o suficiente. “É um tratamento hoje muito simples, principalmente se a pessoa faz um diagnóstico precoce”, destaca.

Valdirene diz que, além da medicação, o paciente deve fazer acompanhamento semestral para identificar o nível de carga viral em seu corpo. Ela lamenta que ainda há casos de abandono de tratamento pelo medo de as pessoas serem identificadas como portadoras de aids.

O vírus só é transmitido por meio de secreção vaginal, esperma ou sangue contaminado. Em casos de gestação, o acompanhamento precoce reduz a possibilidade de a criança contrair a doença. Em Lajeado, das que o SAE acompanhou até hoje, nenhuma mãe transmitiu ao seu bebê. Foram 196 casos até o último mês de setembro. “Quanto mais cedo se faz o diagnóstico, mais chances de dar tudo certo”, pontua Valdirene.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

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