“Para que a lei funcione é preciso denunciar”, diz voluntária de ONG sobre maus-tratos em animais

Relato foi dado após homem ser flagrado agredindo um cachorro em Estrela. Caso chegou até a Delegacia de Polícia através de um registro de ocorrência.


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Homem foi flagrado batendo em um cão com um relho no Bairro Boa União, em Estrela (Foto: Reprodução / Divulgação)

Um caso de maus-tratos, com vídeo e fotos que circularam pelas redes sociais mostrando um homem batendo em um cão que estava amarrado em um poste, revoltou muitas pessoas. O caso foi flagrado por um popular, que prefere não se identificar para não sofrer represálias, e com o apoio de uma Organização Não Governamental (ONG), Associação Amigos Protetores dos Animais do Vale do Taquari (AAPAVAT), chegou até a Polícia Civil. Nas imagens o agressor usa um relho para bater no animal em sua residência no Bairro Boa União, em Estrela.


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Em setembro deste ano o Senado aprovou um projeto que estabelece pena de dois a cinco anos de reclusão para quem praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar cão ou gato. O texto também prevê multa e proibição da guarda para quem praticar crimes desse tipo contra os animais. Mas para que isso ocorra, conforme a voluntária da ONG Miriam Duarte, é preciso que as pessoas procurem a polícia para fazer a denúncia. “A lei no Brasil funciona sim, mas para isso as pessoas precisam denunciar. Qualquer um pode denunciar, chamar a Polícia Civil ou a Brigada Militar.”

Voluntária da ONG, Miriam Duarte (Foto: Gabriela Hautrive)

Além da denúncia, Miriam informa que é importante também ter imagens que comprove a agressão, sempre que possível. “Nesse caso de Estrela, anexamos as fotos e o vídeo em um CD e levamos para delegacia. Isso é fundamental”, relata. A voluntária reforça que não é com violência contra o agressor que a situação será resolvida. “Causa revolta sim, mas não é dessa forma que devemos proceder, e sim denunciando, pois a lei está aí, mais forte do que nunca”, destaca.

A situação ocorrida em Estrela, no último domingo (8), chegou até a ONG por meio de uma pessoa que tomou conhecimento do caso, então decidiu procurar a polícia. “Recebemos o vídeo e as fotos, que causaram bastante revolta e comoção. Procuramos a Brigada Militar e fomos encaminhados para Polícia Civil”.

O que diz a Polícia Civil

Titular da Delegacia de Polícia de Estrela, Juliano Stobbe (Foto: Gabriela Hautrive)

A Delegacia de Polícia de Estrela tomou conhecimento da situação na segunda-feira (9) e irá investigar o caso. Conforme o delegado Juliano Stobbe, a situação é enquadrada como crime de maus-tratos a animais. “O fato é grave, inclusive se vive um momento de recrudescimento da legislação penal referente ao crime, diante disso foram feitas diligências e visualizado o vídeo no qual o acusado está praticando as agressões”.

O delegado também informou que o homem já foi ouvido pela polícia. “Apresentou justificativa, no sentido de que estava separando uma briga entre seus dois cachorros. Toda essa questão vai ser analisada junto com a oitiva de outras pessoas para que seja feito o indiciamento”. Stobbe ainda reforçou que o crime é grave e prevê reclusão, e nesta linha seguirá os trabalhos da delegacia.

Texto: Gabriela Hautrive
producao@independente.com.br

 

 

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