Para quem você olha nas horas difíceis?

Esse movimento determinará sua reação diante daquela situação


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Gustavo Bozetti, diretor da Fundação Napoleon Hill e MasterMind RS (Foto: Arquivo / Artur Dullius)

Faz mais de uma década que estudo sobre liderança. Acreditamos veementemente que são os líderes os responsáveis por grandes feitos. Vicente Falconi, renomado consultor brasileiro, afirma que existem três fatores fundamentais para a obtenção de resultados em qualquer iniciativa humana, que são: conhecimento técnico, metodologia e liderança. Jamil Albuquerque, outro nome com expressão mundial, afirma que as pessoas que almejam ser bem sucedidas, devem ter três pilares como base da sua jornada, que são: propósito, coragem e competência.


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Estes dois notáveis pensadores afirmam que nada será possível se não houver líderes capacitados envolvidos em projetos importantes. Faz anos que notamos que líderes estão cada vez mais escassos aqui no Brasil. Mas por que será? Existe um trocadilho entre as palavras PESSOAS (fortes e fracas) e TEMPOS (fáceis e difíceis) que resulta na seguinte afirmação: Pessoas fracas produzem tempos difíceis. Tempos difíceis produzem pessoas fortes. Pessoas fortes produzem tempos fáceis. E tempos fáceis acabam produzindo pessoas frágeis, e esse efeito se repete ciclicamente. Talvez, esse ciclo justifique a escassez de líderes.

A primeira reação de um liderado, ao se deparar com uma situação extrema e complexa, é olhar para o seu líder imediatamente depois do ocorrido. Uma criança, por exemplo, logo após sofrer uma queda ou um tombo, direciona o seu olhar de forma instintiva para seus líderes, que são seus pais. Somente depois a criança escolhe a dimensão da sua reação, do seu choro. Quando a criança se depara com os pais desesperados, ela, consequentemente, entra em desespero, da mesma maneira que, após a queda, caso a criança perceba que os pais estão tranquilos, dizendo “levanta e vamos de novo”, a criança minimiza o impacto da sua reação e volta a brincar. A não ser, logicamente, que a coisa tenha sido mais séria. Essa mesma reação acontece conosco, enquanto adultos. Nos momentos difíceis, buscamos os nossos referenciais, que são os nossos líderes, para depois sabermos como reagir diante de tal situações.

O que podemos concluir é que, em momentos extremos, o despreparo do líder pode piorar as coisas, gerando uma reação em cadeia.

Percebemos que as redes sociais deram visibilidade para todos, alguns não tão preparados assim, deixando os ânimos ainda mais exaltados em situações extremas. Vemos pessoas que ocupam cargos importantes tomando decisões sem saber distinguir o que é fato do que é fantasia, o que é realidade do que é ficção.

Há dois anos, no Evento SegHill, em Porto Alegre, estive com o palestrante Maurício Abravanel, que relatou um caso no mínimo inusitado. Ele e mais alguns amigos foram andar de lancha em um lago próximo de Ribeirão Preto-SP. Os amigos deixaram as esposas em terra firme e levaram as crianças junto no passeio. Um problema em um dos barcos resultou no naufrágio daquela pequena embarcação. Os prejuízos foram, apenas, materiais. As crianças e os adultos que estavam naquele barco foram socorridos pelos amigos que estavam em outra embarcação. Durante o trajeto de volta, até a beira do lago, todos agradeceram por estarem bem. Até deram risada do acontecido, dizendo que o valor material eles recuperariam. Quando chegou a hora de contar a notícia para as mães e esposas, o drama ficou fora de controle, pois, naquele momento, eles raciocinaram sobre as consequências trágicas que poderiam ter acontecido. Foi uma choradeira generalizada, porém, na hora do incidente, eles mantiveram a calma e souberam agir.

Sei que essa história não é das mais agradáveis para se contar, porém ela expressa bem o que estamos dizendo aqui. Na hora da tempestade, o semblante do marinheiro ajuda a acalmar sua guarnição, sua tripulação. Todos que já viajaram de avião receberam as recomendações passadas com calma e clareza pelos comissários de vôo, sobre quais os procedimentos devem se executados em casos extremos. Há uma cena memorável no filme Titanic onde os músicos continuam tocando enquanto o navio afundava, tentando demonstrar calma aos passageiros que ali estavam. O que pretendo, aqui, é concluir que nas horas extremas percebemos o preparo do líder. Esse preparo é determinante para a melhor condução das ações, obtendo, assim, os melhores resultados. E você? Sente-se preparado para situações extremas? Costuma acalmar os ânimos ou prefere “apagar fogo com gasolina”? Como estão os líderes na sua volta? Estão conduzindo bem as situações extremas ou reagem sem pensar, deixando as coisas ainda piores? Pense nisso e desenvolva as habilidades citadas acima. Forte abraço e até a vitória, sempre.

Gustavo Bozetti (@gustavobozetti), diretor da Fundação Napoleon Hill e MasterMind RS

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