Para sindicalista, Eduardo Leite quer projeção nacional ao buscar privatização da Corsan

Segundo Rogério Ferraz, do Sindiágua/RS, governador quer mandar uma sinalização positiva ao mercado financeiro


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Foto: Corsan / Divulgação

O diretor de divulgações do Sindiágua/RS, Rogério Ferraz, questionou a intenção do governador Eduardo Leite de privatizar a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan). Ferraz lembra que, durante a campanha de 2018, Leite havia se comprometido em não privatizar a estatal. O sindicalista contesta a argumentação de que seria necessário para que o RS seja incluído no Regime de Recuperação Fiscal do governo federal. Ele também rebate que a Corsan, como estatal, não teria condições de atender as exigências do novo Marco do Saneamento Básico.


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Para Ferraz, a empresa não deferia ser repassada à iniciativa privada pois é superavitária. De acordo com ele, a companhia “tem colocado volume grande de recursos nos cofres do Estado”. O diretor de divulgações aponta que, em 2020, a Corsan teria fechado com saldo positivo de R$ 480 milhões, e em cinco anos, R$ 1,5 bilhão.

“Essa argumentação de que precisa privatizar para se adequar ao Regime de Recuperação Fiscal parece que não condizer com a realidade”, justifica. Para Ferraz, a mudança de posição do governador ocorre por motivos eleitorais, com vistas a uma possível candidatura em nível nacional. O sindicalista diz que a privatização seria uma sinalização ao mercado financeiro.

O integrante do Sindiágua/RS defende não privatizar porque a companhia teria capacidade de arcar com seus compromissos com a nova lei do saneamento, que estabelece como meta 90% do esgoto e 99% da água tratada até 2033. Ferraz afirma que “a Corsan tem capacidade de arrecadar, por conta do trabalho que ela faz”.

Ele pondera que o prazo é 2033, mas pode ser prorrogado até 2040. “O governador pega somente a data exígua e diz que estatal não teria como cumprir”, critica. Segundo ele, uma empresa privada que viesse a assumir a Corsan também trabalharia com esse prazo maior. “Fazer o esgotamento sanitário não é tão simples assim, nem para empresa pública nem para empresa privada”, pontua.

“Essa pressa do governador a gente não entende”, comenta o sindicalista. Ele diz que, como a companhia tem contrato com os municípios por ser pública, o cenário teria que ser todo revisto. Por isso, ele lamenta a falta de um debate maior a respeito do tema, que inclua os prefeitos e os vereadores.

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