Para ter resultados diferentes é necessário sair da mesmice

Confira o comentário da jornalista, psicóloga e psicanalista clínica Dirce Becker Delwing.


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Foto: Rodrigo Gallas

Meu primeiro calçado foi um par de sandálias de plástico na cor azul, de segunda mão, na verdade. Meu mano mais velho tinha sido o primeiro proprietário. Naquele tempo, sapatos, roupas e brinquedos passavam de um para o outro. Muitas vezes, se o calçado não cabia direito no pé, colocava-se um preenchimento com algodão, ou até mesmo pedacinhos de tecido.

Nesse sentido, li que, hoje em dia, já existem sapatinhos de criança que podem ser ajustados conforme os pezinhos vão crescendo. A novidade foi desenvolvida por uma marca portuguesa de calçado infantil. O segredo está em prolongadores, que permitem o ajuste do tamanho no pezinho da criança até que ela complete dois anos. De um jeito mais moderno, o objetivo é semelhante ao que tinham nossos pais quando faziam as devidas adaptações nos calçados da nossa infância.


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Fiquei pensando que, bem possível, pelo fato de, por muitos anos, ter usado os calçados do meu mano mais velho, é que, somente no começo da vida adulta, parei para ver qual seria o número certo para mim. Mesmo assim, seguia tendo dores nos pés. Ou o calcanhar enchia de bolhas, ou o dedão ficava vermelho.

Sempre acreditei que seria alguma predisposição genética. Escutava a mãe sendo muito citeriosa na hora de comprar um calçado. Quem sabe meus pés também tivessem alguma alteração ou má-formação que causava desconforto. Não sei acomo aconteceu, mas, quando já beirava os 50 anos de idade, um dia, decidi comprar um sapato de número maior que o habitualmete usado. E, pasmem-se, cheguei à conclusão de que meu pé calça 39 e não 38.

Vejam só, passei quase três décadas espremida em calçados apertados. Poderia ter aliviado a situação se tivesse considerado que meu pé não seria mais o mesmo dos tempos adolescentes. Aliás, li que, apesar do processo de desenvolvimento do pé terminar na adolescência, existem fatores relacionados com a gravidez, obesidade e/ou envelhecimento que fazem aumentar o tamanho do pé depois da idade adulta. A diferença pode ir até mais 10 milímetros, o que significa passar a calçar um tamanho acima. Não sei se meu caso se enquadra em algum desses fatores.

O fato é que disso dá para tirar uma interessante reflexão para as mais diferenetes situações do nosso cotidiano pessoal e profissional. Se a gente sempre repete o mesmo formato, sem questionar ou experimentar outros números, nunca terá um resultado diferente. Nesse sentido, Albert Einstein dizia que insanidade é querer resultados diferentes fazendo tudo exatamente igual. Então, se algo está fazendo calos no seu coração, pense na possibilidade de fazer alguma mudança. Quem sabe, aos poucos, seu incômodo ficará menor e você terá uma vida mais leve, sem ter sempre algo apertando os seus sapatos.

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