“Penso que a polícia vai proteger, mas quando vejo deu um tiro no meu filho”, diz mãe de jovem baleado em bar de Lajeado

Fato ocorreu após desentendimento em um estabelecimento comercial no Bairro Universitário na noite deste domingo (11). Autor do disparo foi um policial à paisana


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Maria Lurdes Barbosa Wahlbrinck é mãe do jovem baleado durante a briga na noite deste domingo (11) (Foto: Gabriela Hautrive)

Após um desentendimento ocorrido em um bar, no Bairro Universitário em Lajeado, na noite deste domingo (11), por volta das 22h20, um jovem de 26 anos foi atingido por disparo de arma de fogo na perna. A mãe da vítima, que ficou sabendo do ocorrido quando o filho já estava hospitalizado, diz não concordar com a atitude do policial à paisana, autor do disparo. O bar estava sendo frequentado pelo policial, que não estava a serviço. Ele teria se envolvido numa discussão com outro frequentador do local. Segundo a BM, dois homens teriam partido para cima desse policial, tendo derrubado o agente e tentado tirar sua arma de fogo. Na ocasião, para se defender, o policial efetuou um disparo, o qual atingiu a perna do jovem.


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A mãe do atingido, Maria Lurdes Barbosa Wahlbrinck, relata que seu filho saiu para se divertir e então houve uma discussão com o policial e ele foi atingido por um tiro, sendo que o segundo disparo poderia ter acertado qualquer outra pessoa que estava no local. “Eu não concordo com a atitude do policial, porque no meu ponto de vista a policia é para proteger os nossos filhos e não atirar, quando ele sai para se divertir, porque nesta pandemia estão tudo em casa, eu penso que a polícia vai proteger ele, mas quando vejo deu um tiro no meu filho”, relata.

Além disso, Maria não concorda com a justificativa dada pela Brigada Militar sobre o policial ter agido em legítima defesa. “Defesa de quê? Ele estava só com a chave do carro e o celular. Não tinha nenhum cortador de unha junto, defesa do quê? Só se fosse levar uma mordida. A única vítima ali é meu filho, que está lá no hospital”, pondera.

Com ferimentos na perna, o jovem está internado no Hospital Bruno Born, em Lajeado, e não sofre risco de morte. “Hoje o meu filho poderia estar morto por causa de um policial. Hoje é ele, mas amanhã ou depois, que jovem que vai ser?”, questiona.

Logo após o fato, o Samu foi acionado e conduziu a vítima para atendimento hospitalar, sendo a família informada sobre o ocorrido por uma enfermeira da casa de saúde. “Se fosse pela polícia talvez eu não sabia até agora”, destaca. A mãe conta também que foi até a Delegacia de Polícia de Lajeado, mas não conseguiu contato com nenhum policial civil. “Só os brigadianos estavam lá e perguntaram o que eu estava fazendo no local, e que eu deveria estar no hospital. Uma estupidez, estou decepcionada e em busca de uma explicação sobre isso.”

Maria reforça não se conformar com a situação por conhecer bem o seu filho e por entender que um policial deveria ter preparo para mobilizar uma pessoa e não resolver com um disparo de arma de fogo, que além do jovem, segundo ela, poderia ter atingido uma outra pessoa. “Ele é formado em duas faculdades, começou a trabalhar com 14 anos, ele não estava assaltando um banco nem alguém na rua para levar um tiro como levou”, explica. Ela pretende levar a situação a diante, até para Justiça se caso for necessário. “Isso é apenas o começou, vou onde for possível para esclarecer essa história, eu quero um esclarecimento”, completa.

O que diz a Brigada Militar

O 22º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Lajeado, através de uma nota informa que “sobre o episódio ocorrido ontem a noite (11/07) no interior do Bar e Choperia Barra 1 localizado na Av. Talini – Bairro Universitário, e que envolveu policial militar, informa que o fato será apurado através de um procedimento investigatório”.

A reportagem da Rádio Independente fez contato com o comandante da 2ª Cia do 40º Batalhão de Polícia Militar (BPM) da Brigada Militar, sediada em Teutônia, que era o oficial de serviço e compareceu no local dos fatos após o acontecimento, capitão Fábio Cézar Bilhar.

Ele informou que fica à disposição para informações adicionais, mas que a BM não fará nenhuma participação em rádio sobre o assunto, até para dar lisura à investigação interna do fato e preservação das partes. O capitão acrescentou que “foi instaurado um Inquérito Policial Militar ainda ontem, logo após os fatos, com a oitiva das partes. Esse procedimento é uma apuração que será feita de forma concomitantemente com a apuração que está sendo feita pela Polícia Civil”. Questionado pela reportagem, o comandante disse que o policial militar, autor do disparo, não será afastado das atividades em um primeiro momento.

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

 

15 Comentários

  1. E como sempre para o policial que atirou nao vai dar em nada, talvez 30 dias de trabalho interno e recebendo. Atirou contra uma pessoa, tentaiva de homicidio, a lei soh e aplicada pra pobre no brasil

  2. O policial estava mesmo apenas por lazer no bar, ou estava lá fazendo um ‘extra’ como segurança?
    Se estava a lazer, pq ele estava armado?
    Se estava a lazer, pq ele se envolveu na confusão entre outros?
    Por sorte essa confusão não teve consequências mais sérias.

    • Essa história tá muito mal contada.
      E quem provocou tudo isso foi o brigadiano.
      Por culpa de uma ARMA. Sem mais.

    • João acredito que anjo não era, por que se fosse teria sido baleado na asa.
      Pelo que entendi o policial, em seu estrito cumprimento do dever legal, interveio, em uma ocorrência de desordem, que em princípio não era com ele, ele apenas agiu como policial. O problema é que muitos da sociedade, acredita que o policial, de folga deixa de ser policial, e É PELO CONTRÁRIO, é 24 horas, fardado, sem farda, onde houver ocorrência, ele tem obrigação de adotar providências.

  3. E o fascismo está aí.

    Um brigadiano militar, cidadão de bem, sacou a arma e quase matou uma pessoa. Para começo de conversa: ele não deveria estar ali com um porte de arma por não estar em horário de trabalho. Se isso virar desculpa, qualquer brigadiano militar estará a paisana, seja num bar, seja no corredor do condomínio, seja na escola do seu filho portando uma ARMA.

    Isso tem que ir adiante. A letalidade policial é o maior problema da segurança pública. O Brasil está entre os países que mais mata. E Lajeado, berço do fascismo, não fica para trás.

    Força a esta mãezinha! Vai dar tudo certo. E melhoras à vítima desta covardia.

    • Por que tu acha que a letalidade policial é problema no Brasil?
      Acredito que nem tu sabe, mas vou te responder, é por que tem muito bandido, praticando assaltos, homicídios, estupros, roubos, etc…, e qdo se encontram com a PM, optam pelo confronto, e inúmeras vezes restam baleados, em consequência vem a óbito, mas lhe asseguro é opcional esse resultado. Quanto a arma existe uma legislação que permite todo policial a portar a arma, a atividade policial é diferente da sua, se é que vc faz alguma coisa, pela sociedade.

  4. É um absurdo mesmo um “anjinho” desses levar um tiro pelo simples fato de querer tirar a arma do brigadiano……é um absurdo….e se a história for mesmo essa, agredece por ter sido na perna e vai colocar juizo na cabeça do filhote graduado em DUAS faculdades….

  5. Infelizmente atiro na perna se atira na cara a mãe ia dize que foi o que. Menos um imbecil bêbado na rua. Devia ter ficado em casa com a mamãe. Não teria se envolvido em briga.

  6. Policial só é machão com arma na mão. Porque sair pra beber com arma na cintura ? Porte deveria ser só em horário de serviço. Dormem com a arma no colo.

  7. Roger. passe seu pix. vou contribuir para comprar uma passagem. Ajudarei inclusive escolher Cuba ou Venezuela. China esta no pacote tambem. tome vergonha nesta sua cara nojenta e tente refletir nas bobagens que falou. se é que vc tem cerebro; Qualquer cidadão do bem logo logo vai estar com uma pistola na cintura.

    • O nível de confusão mental do cara que conseguiu relacionar os comentários dessa notícia com Cuba, China e Venezuela é espantoso! 😮

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