Metade dos lares no Brasil sofreu algum nível de insegurança alimentar no final de 2020, ou seja, se preocupou com a possível falta de comida em casa, e 19 milhões de brasileiros relataram realmente ter passado fome no ano passado.

Esse número preocupante é o resultado de um estudo inédito conduzido pela Rede Penssan, empresa de pesquisas na área de insegurança alimentar.

Pessoas das cinco regiões brasileiras foram consultadas nos últimos meses de 2020, quando o valor do auxílio emergencial sofreu a primeira redução.

Em entrevista à CNN, Sandra Chaves, nutricionista e vice-coordenadora da Rede Penssan, explicou como a pesquisa, que foi validada no país em 2004, foi desenvolvida. Segundo ela, há três níveis de insegurança alimentar.

“A escala brasileira de segurança alimentar mede nos domicílios a situação de segurança alimentar, que é o acesso aos alimentos. Há três níveis de insegurança: a leve, quando existe a preocupação de faltar dinheiro para comprar comida; a moderada, quando há alteração qualitativa e quantitativa para manter um certo padrão; e a grave; quando já não há proteção e adultos e crianças passam uma precariedade total nos acessos aos alimentos”, disse ela.

Participaram da pesquisa 2.180 domicílios brasileiros, nas cinco regiões do país (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste), de 5 a 20 de dezembro de 2020, portanto na vigência do auxílio emergencial.

“Em 2013, havia 77% dos domicílios em situação de segurança alimentar, foi o nosso melhor resultado desde que a pesquisa começou a ser realizada, em 2004. Em 2020, nós tivemos apenas 44% dos domicílios em situação de segurança alimentar.”

Sandra Chaves explicou que a situação de insegurança alimentar acontece devido às desigualdades que estão impregnadas na sociedade, como de renda, acesso ao saneamento, qualidade de moradia e emprego.

“E hoje nós temos uma insegurança grave que é fome em 13,8% em domicílios no Nordeste brasileiro e 18,1% de domicílios no Norte do país. No sudeste é de 6%.”

Fonte: CNN Brasil

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