Pesquisa da Univates sobre ácaros objetiva desenvolvimento de um novo produto para diagnóstico de alergia

Projeto foi proposto pelo estudante do curso de Medicina


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Foto: Guilherme Liberato da Silva / Divulgação

Os ácaros são os principais causadores de processos alérgicos em todo mundo. Atualmente, uma das formas de realizar o diagnóstico, além das manifestações clínicas clássicas do paciente, é pelo teste cutâneo de leitura imediata (Prick Test), utilizando um extrato contendo os alérgenos. No Brasil, a maioria dos extratos comercializados é importada, da Europa ou dos Estados Unidos, encarecendo o diagnóstico e empregando uma matéria-prima – no caso os ácaros – não oriunda do nosso país.

Diante dessa realidade, na Universidade do Vale do Taquari – Univates está sendo realizado um estudo com o objetivo de desenvolver um extrato proteico de ácaros que tenha potencial biotecnológico, contribuindo para o diagnóstico rápido de pacientes que apresentam quadros alérgicos desencadeados por ácaros. A pesquisa, coordenada pelo professor Guilherme Liberato da Silva, está vinculada ao Laboratório de Acarologia do Parque Científico e Tecnológico do Vale do Taquari (Tecnovates) e ao Programa de Pós-Graduação em Sistemas Ambientais Sustentáveis (PPGSAS).

O projeto foi proposto pelo estudante do curso de Medicina da Univates Lucas Vieira como Trabalho de Iniciação Científica (TIC). Ao longo do processo, o estudante desenvolveu e validou o protocolo de extração de proteínas dos ácaros, obtendo quantificações proteicas similares aos produtos já comercializados. Segundo o acadêmico, a experiência e o conhecimento obtido com a sua inserção no Laboratório de Acarologia colaboraram para o crescimento enquanto estudante e, também, para seu amadurecimento científico. “Esperamos avançar ainda mais na fabricação dos extratos e no entendimento das variabilidades proteicas dos ácaros. Infelizmente em nosso país temos poucas pesquisas na área em comparação aos países mais desenvolvidos”, explica Vieira.

Conforme o professor Guilherme, o diferencial do estudo é o desenvolvimento de um protocolo de exames com ácaros característicos do Vale do Taquari, que não são contemplados em outros lugares e, portanto, não estão disponíveis para testar a alergia de pacientes a eles. “Estamos preparando e adaptando esse protocolo. O próximo passo é o teste in vitro, em células, para verificar sua funcionalidade e aplicabilidade. Com o desenvolvimento desses extratos, pretende-se que os órgãos de saúde tenham acesso mais rápido ao produto, o que irá potencializar o diagnóstico de alergia por ácaros”, afirma.

A pesquisa também conta com a participação da professora Márcia Inês Goettert, docente do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPGBiotec) e do PPG em Ciências Médicas (PPGCM). AI/RC

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